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DUDI MAIA ROSA

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A PINTURA PELO AVESSO
Gaudêncio Fidelis

Lidar com algumas das mais candentes questões pictóricas postas pela pintura a partir dos anos 1960 tem sido a razão de ser da pintura de Dudi Maia Rosa. Essa é, entretanto, uma pintura que nunca adotou uma perspectiva niilista de pensar os limites da pintura, até porque para Dudi esses limites sempre estiveram dados.

Trata-se de elevar o estatuto da pintura a uma condição de realidade material: o que se quer realizar é uma pintura cuja densidade seja reforçada pela intuição do corpo pictórico como presença comemorativa.

O trabalho de Dudi resolveu, de maneira brilhante, uma questão que surgiu para a pintura em meados dos anos 1960 na França: a relação entre suporte e superfície. Sua pintura nasce de uma conjunção entre esses dois elementos, resolvendo tal dilema de maneira definitiva. A despeito dos parentescos históricos com os quais se relaciona a pintura de Dudi Maia Rosa, sua obra sempre esteve ligada a uma realidade material e a toda uma série de negociações que o artista teve de realizar entre o meio e suas próprias vontades.

Seria uma falência fazer pintura sem acreditar nela, sem ser nesse exercício de pintar uma crença na dimensão pictórica do mundo. É evidente que uma tomada de perspectiva com determinada dose de liberdade poética traria para a obra alguns dilemas, como a dúvida entre essa mesma densidade poética e a materialidade do quadro. Nesse caso, parece-me que tal dilema passa a ser exatamente o motor da obra, ao fazer dela um terreno no qual a vontade e os delimitadores culturais entrarão em confronto muitas vezes.

Vários desses dilemas, ao longo do tempo, passam a imprimir ao trabalho uma característica fundamental, considerada um mérito: ao buscar um lugar não específico dentro dos limitadores culturais sob os quais podemos ver a produção de pintura do Modernismo para cá, e ao deslocar-se tão intensamente para suas bordas, a obra de Dudi o fez na iminência de tornar-se uma quase pintura, estrangeira e alheia a seus parentes mais próximos, como um filho que deixa a casa dos pais com o objetivo de crescer e emancipar-se.

(2005)








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