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Vapor

BERNA REALE
19 . nov . 2014  -  20 . dez . 2014 , Galeria Millan
abertura 18 . nov . 2014, 19h - 22h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
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A Galeria Millan realiza, de 18 de novembro a 20 de dezembro, a primeira exposição individual da artista Berna Reale em São Paulo. Com curadoria de Rudolf Schmitz, a mostra Vapor exibe seis vídeos – que registram performances da artista em Belém (PA), sua cidade natal – além de nova série de fotografias. Com forte teor político, a exposição põe em evidência a última fase de Berna Reale, que tem dedicado seu trabalho a denunciar, poeticamente, situações de violência, abusos de poder e conflitos sociais que permeiam seu cotidiano: Berna é perita criminal do Centro de Perícias Científicas do Estado do Pará.

A mostra lançará três vídeos inéditos: Rosa púrpura, Imunidade e Cantando na chuva. No primeiro, Berna e um grupo de 50 colegiais marcham pelas ruas de Belém, seguidas por uma banda militar. Todas as mulheres estão vestidas com uniformes típicos de colégios tradicionais – blusas justas e saias de prega, mas na cor pink -, carregando na boca próteses que remetem a bonecas infláveis. Cartazes com retratos destas meninas serão espalhados por São Paulo, em pontos como cinemas, teatros, centros culturais, escolas de artes e outros, com objetivo de divulgar a exposição e disseminar sua temática. Durante a mostra, a artista alimentará seu website www.bernareale.com com depoimento de algumas das participantes da performance em que descrevem suas experiências com a violência e coação sexual.

Em Imunidade, Berna Reale navega em uma gôndola pelos esgotos de Belém, acompanhada na embarcação por 500 ratos. Este trabalho foi produzido a partir do prêmio da Fundação Joaquim Nabuco à artista. E o vídeo Cantando na chuva é dos mais irônicos: Berna, inteiramente vestida em dourado, incluindo guarda-chuva e máscara de gás, dança soberbamente a música Singing in the rain sobre um tapete vermelho pelo lixão da capital paraense, em meio a catadores.

As obras Americano, Ordinário e Soledade completam o conjunto de vídeos da exposição, exibidos no andar térreo da Galeria Millan. Estes três trabalhos foram produzidos em 2013, mas não foram expostos em São Paulo. Em Americano, Berna Reale leva a “tocha da liberdade” para os corredores de um presídio paraense. Na obra Ordinário, ela carrega em um carrinho de mão ossos de vítimas anônimas de assassinatos. E, em Soledade, a artista trafega por uma rua que integra a rota de tráfico de drogas em Belém em uma charrete romana dourada, puxada por porcos.

No andar superior da Galeria, a artista mostra, ainda, nova série de fotografias, também intitulada Rosa púrpura, em que explora a temática da violência sexual.

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Pinturas de onda, mato e ruína

RODRIGO ANDRADE
08 . out . 2014  -  08 . nov . 2014 , Galeria Millan
abertura 07 . out . 2014, 19h - 22h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
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A Galeria Millan realiza, de 8 de outubro a 8 de novembro, nova exposição individual de Rodrigo Andrade, chamada Pinturas de onda, mato e ruína, que apresenta as séries inéditas do artista A chegada do tsunami e outras pinturas e Bicromias.

Da primeira, destacam-se obras de grandes dimensões, que exploram a materialidade da pintura na representação da força monumental de certos eventos naturais: a obra A onda do tsunami (240 x 420 cm) projeta a onda para fora da tela, enquanto Chegada do tsunami (240 x 420 cm) recria uma cidade tomada pelas águas. A segunda série, Bicromias, também faz evocação da natureza, em paisagens construídas em duas cores com grossas camadas de tintas que caracterizam o trabalho do artista, e constitui-se de duas pinturas de grande dimensões, como Bosque azul (180 x 240 cm), além de uma série de pequenas.

As pinturas selecionadas evidenciam a mais recente fase do artista, iniciada em 2009, quando Rodrigo Andrade passa a valer-se de registros fotográficos como ponto de partida para suas obras. Nesta exposição, o artista busca inspiração em fotografias de Daido Moriyama, Don McCullin e August Sander (além de imagens de noticiário e fotos do próprio artista) – construindo pinturas carregadas com densas massas de tinta como “um desejo de enxertar realidade na imagem, um desejo alucinatório de fazer uma pintura de paisagem tão concreta quanto a paisagem real”, como explicado pelo artista em entrevista concedida no início de 2014.

Para isso, o artista lança mão de recursos como o jogo e a ilusão, com propósito de instigar sensações de fascinação, hipnose e prazer imediato no espectador. “A palavra ‘ilusão’ significa, literalmente, ‘em jogo’ (inludere), ideia que cai muito bem para a minha pintura”.

A exposição Pinturas de onda, mato e ruína abre no dia 7 de outubro, às 19h, junto com o lançamento do livro Resistência da matéria, editado pela Editora Cobogó. O livro revê sua produção nos últimos cinco anos: apresenta trabalhos de cinco séries diferentes — Matéria noturna, Velha ponte de pedra e outras pinturas, Pinturas do mundo que flui, Pinturas de estrada e Pinturas de onda, mato e ruína – acompanhados de dois ensaios críticos, assinados por Tiago Mesquita e Lorenzo Mammì, e de entrevista de Rodrigo Andrade a Tiago Mesquita, concedida no primeiro semestre de 2014.

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ATLAS/OCEANO

THIAGO ROCHA PITTA
02 . set . 2014  -  27 . set . 2014 , Galeria Millan
abertura 30 . ago . 2014, 11h - 18h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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Em sua nova exposição na Galeria Millan, Thiago Rocha Pitta apresenta um vídeo inédito, além de exibir obras anteriores que se relacionam com o novo trabalho. A peça que intitula a mostra, Atlas / Oceano, foi desenvolvida durante uma residência artística realizada em 2014 na Noruega, através do programa Circulating Air. O artista se apropria de uma figura mitológica para nomear e criar uma obra em que explora questões presentes em seu trabalho como um todo, tal qual uma vivência estendida da temporalidade e os limites da relação que o homem pode estabelecer com a natureza.

O universo mitológico e a literatura são constantes referências no trabalho de Thiago Rocha Pitta (como nos vídeos O cúmplice secreto e Youth, em que o artista toma títulos e mesmo temas de empréstimo a Joseph Conrad); essas alusões, no entanto, jamais são unívocas ou limitadas por seu sentido de origem. Os elementos e personagens humanos são transfigurados em formas essencialmente minerais, por vezes vegetais, nestes contextos criados por Rocha Pitta. Vale notar que mesmo elementos inerentes à técnica e à cultura (como a navegação ou o domínio do fogo) são deslocados nesses vídeos, aparecendo como fantasmas, entes misteriosos que não podem produzir-se a si mesmos, mas que tampouco parecem oriundos de uma força humana. A câmera, estática ou à deriva, coloca o espectador na estranha posição de voyeur deste mundo que parece prescindir dele.

Também recorrente nos trabalhos do artista é a presença do barco. Três obras com este elemento poderão ser vistas no primeiro andar da Galeria: em Homenagem a JMW Turner (2002), o barco é incendiado em algum oceano, um embate entre fogo e água; em Herança (2007), o barco à deriva carrega um punhado de terra e duas árvores, imagem onírica, irônica e repleta de solidão; em O cúmplice secreto (2008), por fim, uma forma reluzente, cujo contorno preciso temos dificuldade de apreender, aproxima-se da câmera/espectador no oceano e, à medida que o faz, traz consigo o escurecer, havendo uma tensão crescente acarretada por essa presença que nem sempre pode ser vista, apenas adivinhada.
Em Atlas / Oceano, por sua vez, não é o mar que contém o barco, mas sim o barco que o carrega. Essa frágil estrutura de madeira toma o lugar do titã Atlas e, flutuando no vazio, sustenta a Terra ou, pelo menos, os seus mares. Oriunda do domínio técnico do homem sobre a natureza e associada ao florescer e à expansão de inúmeras civilizações, a habilidade de navegar aparece aqui como o ponto de apoio do mundo. A imagem faz ressoar entrevistas nas quais o artista afirma não existir, para os homens, a natureza em si: como Midas, tudo em que o ser humano toca se transforma em cultura, mesmo o ermo oceano.

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