assinar a newsletter

Filtrar:


Pinturas de onda, mato e ruína

RODRIGO ANDRADE
08 . out . 2014  -  08 . nov . 2014 , Galeria Millan
abertura 07 . out . 2014, 19h - 22h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
  • Ra_6776_ruina_com_montanha_ao_fundo_40x80cm_2014_corte

A Galeria Millan realiza, de 8 de outubro a 8 de novembro, nova exposição individual de Rodrigo Andrade, chamada Pinturas de onda, mato e ruína, que apresenta as séries inéditas do artista A chegada do tsunami e outras pinturas e Bicromias.

Da primeira, destacam-se obras de grandes dimensões, que exploram a materialidade da pintura na representação da força monumental de certos eventos naturais: a obra A onda do tsunami (240 x 420 cm) projeta a onda para fora da tela, enquanto Chegada do tsunami (240 x 420 cm) recria uma cidade tomada pelas águas. A segunda série, Bicromias, também faz evocação da natureza, em paisagens construídas em duas cores com grossas camadas de tintas que caracterizam o trabalho do artista, e constitui-se de duas pinturas de grande dimensões, como Bosque azul (180 x 240 cm), além de uma série de pequenas.

As pinturas selecionadas evidenciam a mais recente fase do artista, iniciada em 2009, quando Rodrigo Andrade passa a valer-se de registros fotográficos como ponto de partida para suas obras. Nesta exposição, o artista busca inspiração em fotografias de Daido Moriyama, Don McCullin e August Sander (além de imagens de noticiário e fotos do próprio artista) – construindo pinturas carregadas com densas massas de tinta como “um desejo de enxertar realidade na imagem, um desejo alucinatório de fazer uma pintura de paisagem tão concreta quanto a paisagem real”, como explicado pelo artista em entrevista concedida no início de 2014.

Para isso, o artista lança mão de recursos como o jogo e a ilusão, com propósito de instigar sensações de fascinação, hipnose e prazer imediato no espectador. “A palavra ‘ilusão’ significa, literalmente, ‘em jogo’ (inludere), ideia que cai muito bem para a minha pintura”.

A exposição Pinturas de onda, mato e ruína abre no dia 7 de outubro, às 19h, junto com o lançamento do livro Resistência da matéria, editado pela Editora Cobogó. O livro revê sua produção nos últimos cinco anos: apresenta trabalhos de cinco séries diferentes — Matéria noturna, Velha ponte de pedra e outras pinturas, Pinturas do mundo que flui, Pinturas de estrada e Pinturas de onda, mato e ruína – acompanhados de dois ensaios críticos, assinados por Tiago Mesquita e Lorenzo Mammì, e de entrevista de Rodrigo Andrade a Tiago Mesquita, concedida no primeiro semestre de 2014.

Baixar baixar release
ATLAS/OCEANO

THIAGO ROCHA PITTA
02 . set . 2014  -  27 . set . 2014 , Galeria Millan
abertura 30 . ago . 2014, 11h - 18h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Trp_atlas_oceano_imprensa_low
Play assistir

Em sua nova exposição na Galeria Millan, Thiago Rocha Pitta apresenta um vídeo inédito, além de exibir obras anteriores que se relacionam com o novo trabalho. A peça que intitula a mostra, Atlas / Oceano, foi desenvolvida durante uma residência artística realizada em 2014 na Noruega, através do programa Circulating Air. O artista se apropria de uma figura mitológica para nomear e criar uma obra em que explora questões presentes em seu trabalho como um todo, tal qual uma vivência estendida da temporalidade e os limites da relação que o homem pode estabelecer com a natureza.

O universo mitológico e a literatura são constantes referências no trabalho de Thiago Rocha Pitta (como nos vídeos O cúmplice secreto e Youth, em que o artista toma títulos e mesmo temas de empréstimo a Joseph Conrad); essas alusões, no entanto, jamais são unívocas ou limitadas por seu sentido de origem. Os elementos e personagens humanos são transfigurados em formas essencialmente minerais, por vezes vegetais, nestes contextos criados por Rocha Pitta. Vale notar que mesmo elementos inerentes à técnica e à cultura (como a navegação ou o domínio do fogo) são deslocados nesses vídeos, aparecendo como fantasmas, entes misteriosos que não podem produzir-se a si mesmos, mas que tampouco parecem oriundos de uma força humana. A câmera, estática ou à deriva, coloca o espectador na estranha posição de voyeur deste mundo que parece prescindir dele.

Também recorrente nos trabalhos do artista é a presença do barco. Três obras com este elemento poderão ser vistas no primeiro andar da Galeria: em Homenagem a JMW Turner (2002), o barco é incendiado em algum oceano, um embate entre fogo e água; em Herança (2007), o barco à deriva carrega um punhado de terra e duas árvores, imagem onírica, irônica e repleta de solidão; em O cúmplice secreto (2008), por fim, uma forma reluzente, cujo contorno preciso temos dificuldade de apreender, aproxima-se da câmera/espectador no oceano e, à medida que o faz, traz consigo o escurecer, havendo uma tensão crescente acarretada por essa presença que nem sempre pode ser vista, apenas adivinhada.
Em Atlas / Oceano, por sua vez, não é o mar que contém o barco, mas sim o barco que o carrega. Essa frágil estrutura de madeira toma o lugar do titã Atlas e, flutuando no vazio, sustenta a Terra ou, pelo menos, os seus mares. Oriunda do domínio técnico do homem sobre a natureza e associada ao florescer e à expansão de inúmeras civilizações, a habilidade de navegar aparece aqui como o ponto de apoio do mundo. A imagem faz ressoar entrevistas nas quais o artista afirma não existir, para os homens, a natureza em si: como Midas, tudo em que o ser humano toca se transforma em cultura, mesmo o ermo oceano.

Baixar baixar release
rua fradique coutinho, 1360 são paulo, sp brasil 05416-001 | tel/fax +55 11 3031 6007
Agencia-digital-d2b-comunicacao