assinar a newsletter

Filtrar:


B O L E T I M

CURADORIA: PAULO MIYADA
04 . fev . 2013  -  09 . mar . 2013 , Galeria Millan
abertura 02 . fev . 2013, 11h - 17h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
  • Berna
  • Vitor_cesar_osso_rico_serie_romance_policial_2012
  • Vitor_cesar_ferrari_serie_romance_policial_2012
  • Vitor_cesar_felino_e_lion_serie_romance_policial_2012
  • Vijai_trocas_bruscas_ocorrem_gradualmente
  • Vijai_dia-nao_2012_livro_200pp_500copias
  • Vijai_ataques_selvagens_de_cinismo_2012

Berna Reale, Pedro França, Vijai Patchineelam e Vitor Cesar são quatro artistas de partes diferentes do país que sustentam uma atenção constante aos dilemas políticos do tempo presente. As maneiras como esse comprometimento se manifesta em suas obras são radicalmente diversas, indo da alusão alegórica em elaboradas composições fotográficas, no caso de Berna Reale, até o jogo de desdobramentos gráficos e conceituais entre os campos público e privado, no caso de Vitor Cesar.

Pela reunião e produção de trabalhos inéditos desses artistas, o curador Paulo Miyada aborda as maneiras como a arte participa da produção de entendimentos sobre os acontecimentos que lhe cercam, oferecendo-se como parcela de um possível fórum público de debates. Fotografias, vídeos, livros, cartazes, desenhos, instalações e objetos ocuparão todo o espaço da Galeria Millan, constituindo uma reflexão sobre a possibilidade da arte contemporânea ocupar o espaço deixado pela decadência do "uso público da razão" em um mundo saturado por imagens dissimuladas.

Os artistas foram escolhidos pela precisão de seus processos criativos e pelo interesse em participar de discussões curatoriais e encontros entre todos os participantes da exposição. Na composição do grupo foi dada prioridade à diversidade das táticas que empregam para conectar suas obras com seus discursos acerca da realidade, e cada um dos artistas teve o apoio da Galeria Millan para desenvolver obras e projetos ainda não apresentados ao público, procurando responder à proposta da exposição.

Berna Reale, de Belém, vive cotidianamente os impasses de uma metrópole contraditória e marcada por diferenças sociais, ao mesmo tempo em que acompanha notícias de violência remetidas de todas as partes do globo. Sua obra propõe uma espécie de alegoria do tempo presente, através da construção de cenas com personagens que representam ora aqueles violentados, ora aqueles que impõem a violência em diversas zonas de conflito. Essa cenas são performadas pela própria artista, que escolhe figurinos, objetos de cena e locações que simbolizam os confrontos abordados. Para a exposição Boletim, Berna desenvolveu uma série fotográfica que aborda momentos críticos do mundo contemporâneo que são de conhecimento comum e, ainda assim, apresentam-se como desafios à compreensão: o abuso de poder de soldados norte-americanos no Oriente Médio; a condição de invisibilidade dos presos políticos de Guantánamo; a presença constante da morte em territórios mulçumanos; e a restrição dos direitos civis em fábricas chinesas.

Vitor Cesar, de Fortaleza (vive em São Paulo), estuda a constituição do espaço discursivo da arte, apropriando-se das qualidades gráficas e discursivas de seus elementos de sinalização e nominação. Suas proposições questionam a especialização de artistas, público e instituições como polos isolados, enfatizando os seus pontos de contato e as relações de reciprocidade que os definem mutuamente. Para tanto, suas propostas muitas vezes extravasam os suportes usualmente associados às obras de arte, como molduras e pedestais, e confundem-se com placas de rua, mobiliários urbanos e sinalizações publicitárias. Para Boletim, Vitor organizou uma síntese de sua série inédita, "Romance Policial", instalação que emula uma exposição de design de cartazes, todos criados segundo uma empreitada ficcional em que um escritório de design é contratado para estabelecer uma identidade para iniciativas recentes da Polícia Federal.

Vijai Patchineelam, de Niterói, constrói sua abordagem do mundo contemporâneo tendo como princípio caminhadas pelas cidades e o cotidiano de interação com seu espaço de trabalho e convivência com outros artistas. No tempo distendido de lugares que à primeira vista estão imersos na inércia, Vijai registra momentos de tensão física e impermanência, principalmente através de fotografias e vídeos nos quais fragmentos de ruínas e objetos envelhecidos parecem estar na iminência de colocar-se em movimento, mesmo que seja para o  colapso. Para Boletim, o artista reuniu livro, fotografias e vídeo que abordam desde o espaço urbano - o lado de fora - até o interior de um ateliê - o lado de dentro -, sempre à procura de sinais de uma irrupção que impeça a continuidade do status quo. Mesmo que marcadamente introspectivo na escala de seu olhar para o mundo, Vijai não abandona o interesse por transformações mais gerais da sociedade, apenas procura por movimentos mais sutis do que aqueles abordados pelas manchetes dos jornais, pelas promessas eleitorais e pelas assembleias de classe.

Pedro França, do Rio de Janeiro (vive em São Paulo), desenvolve modelos nos quais aspectos do mundo concreto são espelhados e refeitos no âmbito do espaço expositivo. Há nessas reconstruções uma tentativa (que se sabe frustrada desde o princípio) de apropriar-se da totalidade de um fenômeno que é, por definição, mais amplo do que qualquer meio de representação, seja ele a extensão de uma viagem rodoviária, um objeto de infraestrutura urbana de grande escala ou um fragmento da natureza. Assim, seus vídeos, desenhos e instalações procuram equivalências impossíveis, consolidando-se como modelos de estudo e evocação de uma determinada experiência. No caso do conjunto de trabalhos proposto para Boletim, Pedro persegue as imagens que tentam apresentar a figura do suicídio, caso peculiar da morte em que o sujeito contradiz o instinto fundamental de preservar a própria vida. Como síntese do limite enfrentado por qualquer representação que aborde essa categoria de eventos, o artista está desenvolvendo um desenho a carvão de grande escala (com mais de seis metros de comprimento) baseado na imagem de uma baleia que apareceu morta em uma praia há mais de um século sem nenhuma causa natural, o que foi interpretado pelos homens de então como um caso de suicídio animal.

Baixar baixar release
DUDI MAIA ROSA

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL
23 . nov . 2012  -  20 . dez . 2012 , Galeria Millan
abertura 22 . nov . 2012, 20h - 23h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Dudi_01_buraco
  • Dudi_02_casa
  • Dudi_03_cemiterio
  • Dudi_04_cortina
  • Dudi_05_escada
  • Dudi_07_mesa
  • Dudi_08_portao
  • Dudi_10_sofa
  • Dudi_09_relogio
  • Dudi_11_telefone

Nesta individual na Galeria Millan, Dudi Maia Rosa retoma a vertente figurativa de seu trabalho. Muito conhecido pelos seus fibers (obras em fibra de vidro que exploram questões tanto da pintura quanto da escultura, presentes em sua carreira desde a década de 80), o artista cria esta exposição com uma nova técnica, em que parte de aquarelas e desenhos criados por ele em 2011 e 2012.  

Trata-se de uma nova frente de sua pesquisa com materiais, na qual aborda relações com a tradição pictórica de forma singular, através da revisitação de temas como a paisagem, natureza morta, cenas de cinema, fantasias e imagens para projetos não realizados. O artista apelida esses trabalhos de “cábulas”, termo que remete à sua iniciação artística, conforme seu depoimento:

Com 13 ou 14 anos, como tinha certa diferença com o ambiente da escola, precisava decidir como lidar com o tempo livre e com a solidão quando faltava deliberadamente a aulas. Depois de esconder a mala, começava a tentar decidir qual poderia ser a minha atividade. Aprendi a partir daí a inventar o que fazer. Não eram muitas as opções, mas foram determinantes para minha iniciação às artes: podia ir à sessão das duas de cinema, se tivesse dinheiro, ou perambular pela região central da cidade. Nesse mesmo “tempo livre” compreendi que queria e poderia criar algo artístico. Assim, em 1965, comecei a desenhar e criar imagens livres, com caneta bic.

Em 1978, fazendo minha primeira exposição individual no MASP, misturei técnicas diversas: telas em acrílica, peças em cerâmica pintadas e algumas vezes combinadas com colas sintéticas e pigmentos. Percebo hoje que uma das coisas mais importantes da exposição talvez seja um catálogo que produzi com baixa tiragem, com aquarelas que representavam praticamente todas as obras. A publicação teve ampla repercussão em todo o meu trabalho posterior, marcado pelo uso de uma mídia, um procedimento que está presente em meus ‘fibers’, algo “entre” a pintura e a releitura da mesma, incorporando também a matéria das esculturas.

Na presente exposição, retomo a ideia de retrabalhar imagens através de aquarelas e também poucas peças em fibra de vidro, algo bastante próximo das imagens do catálogo de 1978 - curiosamente intitulado ‘pinturas’, escrito a lápis, e marcado por um cromatismo dominante. Era um momento importante em que as “cábulas” iniciais ganhavam outra dimensão, uma certeza de que eram trabalhos que sintetizavam um risco e aventura através dos quais me comunicava com um público e me iniciava definitivamente às artes.  (Dudi Maia Rosa, setembro de 2012)

Baixar baixar release
rua fradique coutinho, 1360 são paulo, sp brasil 05416-001 | tel/fax +55 11 3031 6007
Agencia-digital-d2b-comunicacao