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Thiago Rocha Pitta

O PRIMEIRO VERDE
24 . mar . 2018  -  28 . abr . 2018 , Galeria Millan
abertura 24 . mar . 2018, 12h - 16h
(ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h):
  • Trp_9670
    Thiago Rocha Pitta
    Marina com cianobactérias, 2017
    Afresco
    120 x 180 cm / 60 x 60 cm (cada)

A Galeria Millan tem o prazer de apresentar, de 24 de março a 28 de abril de 2018, a exposição O Primeiro Verde, de Thiago Rocha Pitta. A mostra marca um novo capítulo em sua meticulosa investigação acerca do meio ambiente, à medida que ele mergulha mais profundamente na origem e na evolução do planeta a partir de um conjunto de trabalhos – em sua maioria afrescos, além de uma instalação, uma escultura, uma aquarela e um vídeo – concebidos entre 2017 e 2018.

A prática diversificada de Rocha Pitta está conectada a uma fascinação profunda com as sutis transformações de seu entorno: a lenta erosão e a alteração da areia do deserto, a descida de uma neblina e as flutuações de formações subaquáticas. Suas obras têm capturado a vibração de um planeta vivo por meio do treinamento do olhar do observador acerca das lentas transformações materiais, as progressões físicas de minúsculas partículas de um território e as alterações repentinas do tempo.

Nesse novo corpo de trabalho, o artista examina os processos naturais envolvidos na fundação de todos os seres vivos: desde o surgimento das cianobactérias, primeiros seres a realizar fotossíntese, há 3,7 bilhões de anos, até o período da
“grande oxidação”, quando o oxigênio produzido por esses microrganismos começou a ser liberado na atmosfera, criando condições para a vida tal qual a conhecemos hoje.

A partir disso, Rocha Pitta cria um rico campo visual que revigora e atualiza essa narrativa na vida contemporânea – atualização que se faz pertinente ao considerarmos nosso papel dentro da contínua transformação do planeta, que, para muitos cientistas, atravessa agora a era do antropoceno, em que seres humanos e suas atividades técnico-científicas têm substituído a natureza como força ambiental predominante. Ao retratar microrganismos ancestrais que operaram uma mudança radical na composição química da atmosfera, o artista propõe nos alertar também para nossa insignificância na história do mundo.

Essas ideias manifestam-se na exposição por meio do engajamento do artista, desde 2016, com a cor verde, que empresta seu nome ao título. A cor evoca não só as paisagens exuberantes do Brasil como pode ser considerada um sinônimo de diversos ecossistemas ao redor do mundo. Utilizando-se do vasto espectro, matizes e gradações contidos entre o verde e o azul, ele tece visões abstratas da terra e do mar que irrompem em nosso olhar com energia.

A vivacidade dessas vistas é acentuada por meio da implementação da técnica tradicional do afresco, através da qual são aplicados pigmentos diretamente sobre uma camada úmida composta de cal e areia, resultando em superfícies frescas. A escolha do artista dessa técnica – cujo processo envolve a evaporação, o endurecimento e a liberação de calor – estabelece uma clara conexão com os ciclos geológicos abordados na exposição.

Complementa o conjunto o vídeo Before the Dawn, filmado no Hamelin Pool, na região oeste da Austrália. O Hamelin Pool é um dos dois únicos lugares na Terra onde ainda vivem estromatólitos semelhantes aos encontrados em rochas de 3.5 milhões de anos. O vídeo, de 12 minutos, captura a ascensão da aurora sobre essas extraordinárias criaturas marinhas e oferece uma comovente imagem a respeito dos primórdios da vida: dos pequenos organismos que provocaram o desenvolvimento das diversas flora e fauna do mundo de hoje à primeira experiência da luz.

“O amanhecer marca um momento em que a luz e a escuridão ainda não estão separadas e o mundo se apresenta como uma atmosfera indistinta, com aspecto primitivo. Essa é a sensação que permeia toda a exposição. Trata-se de reconhecer os extraordinários processos que contribuíram para a formação do mundo que entendemos hoje. Também é uma lembrança de que nosso ambiente não é estático. Ele está respirando e mudando o tempo todo”, reflete o artista.



 

Paulo Pasta

LEMBRANÇAS DO FUTURO
24 . mar . 2018  -  28 . abr . 2018 , Anexo Millan
abertura 24 . mar . 2018, 12h - 16h
(ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h)
  • Pp_9698_200x230_2017_baixa
    Paulo Pasta
    Fumo Brasil, 2017
    Óleo sobre tela
    200 x 230 cm

A Galeria Millan exibe em seu Anexo, de 24 de março a 28 de abril de 2018, um resumo da produção recente de Paulo Pasta, com uma ampla seleção de trabalhos realizados no último ano. Na mesma semana será inaugurada no Instituto Tomie Ohtake uma mostra panorâmica de pinturas do artista, com telas de grandes dimensões e de diferentes fases, selecionadas pelo curador Paulo Miyada. Uma feliz coincidência que permite ao público confirmar, em dose dupla, a solidez e maturidade de sua obra e testemunhar a qualidade rara de Pasta de se reinventar sem perder sua identidade.

Intitulada Lembranças do Futuro, a mostra no Anexo da Millan se debruça sobre uma questão essencial de sua obra: o tempo. Há em suas telas uma clara relação com a memória, uma conjunção entre passado, presente e futuro, como se diante delas nos colocássemos diante de um tempo dilatado, expandido. Não se trata do tempo do relógio, nem de uma condensação de um instante, mas sim de uma construção de um estado latente, contemplativo, que é criado por um tênue equilíbrio, ao mesmo tempo rigoroso e intuitivo, entre forma e cor.

A exposição reúne um seleto conjunto de pinturas, realizadas no último ano pelo artista. Apesar desse recorte temporal enxuto, há uma grande diversidade de questões tratadas nesses trabalhos. Dentre os aspectos mais marcantes de sua pesquisa recente destacam-se uma tendência a trabalhar com cores mais escuras e uma grande preocupação com a exploração dos valores cromáticos. Essa pesquisa em torno da saturação e intensidade dos tons deriva de sua investigação acerca da paisagem – gênero não contemplado nesta seleção –, da função da cor como elemento central para a criação de efeitos óticos na pintura.

Colocadas lado a lado em sutis contrastes tonais, sobrepostas de forma a criar uma zona intermediária imprecisa, ou núcleos potentes que parecem irradiar luminosidade, as cores de Pasta não existem isoladamente. É a partir das relações que estabelecem entre si que adquirem sua potência. Como ele costuma dizer, "cor é uma sugestão, um estado de espírito. É difícil traduzir algo tão intuitivo. Tem a ver com uma vontade, que não é só racional". "Eu gosto de deixar meu trabalho ir na minha frente e depois vou entender. O contrário para mim é mais nocivo, mais pernicioso", acrescenta.

Esse lado imponderável, experimental, da produção de Pasta também está presente nas escolhas das formas estruturais que organizam suas telas, nas dimensões adotadas e na depuração formal de cada composição. Usualmente trabalhando várias telas simultaneamente, o artista desdobra várias pesquisas ao mesmo tempo, estabelecendo um campo amplo de investigação a partir de elementos apenas aparentemente reduzidos. Nestas produções mais recentes, por exemplo, ganham espaço as linhas diagonais – que sugerem profundidade. Mas elas convivem com esquemas (traçados?) já familiares, como as cruzes e faixas.

A diversidade entre trabalhos paradoxalmente muito familiares se faz sentir de forma ainda mais intensa entre obras de diferentes escalas. É como se as relações compositivas e formais assumissem características muito específicas em função do espaço que ocupam. As pinturas em papel, de pequenas dimensões, como as do ensaio visual feito por Pasta para a Revista Serrote – que ocupará uma parede inteira do anexo –trazem a leveza do gesto e um descompromisso maior com o acabamento, que acaba por contrastar e iluminar o depuramento formal presente nas grandes telas.

Esse diálogo entre os diferentes caminhos trilhados pelo artista no isolamento do ateliê, possibilitado pelo convívio no espaço expositivo, não apenas torna mais tangível os aspectos mais evidentes de sua pesquisa, como evidencia a importância, em doses praticamente iguais, do esforço e do desejo em sua prática artística. Referindo-se com frequência a mestres da pintura que o antecederam, Pasta costuma dizer que aprendeu com Matisse o valor da disciplina e com Volpi a importância de ter paciência. Como diz ele, "não basta a intenção, o projeto tem que ser submetido à ação diária, persistente, vagarosa, tornando-se assim destino".

 

ARNALDO PAPPALARDO

CINE
07 . fev . 2018  -  07 . mar . 2018 , Galeria Millan
abertura 06 . fev . 2018, 19h - 22h
(ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h):
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A Galeria Millan tem o prazer de apresentar, de 7 de fevereiro a 7 de março de 2018, a exposição Cine, de Arnaldo Pappalardo, que propõe uma reflexão sobre a ideia de movimento. O premiado fotógrafo adentra as dimensões etimológicas da palavra “cine” — cujo significado em grego é mexer, deslocar, movimentar — para conceber um conjunto de trinta obras inéditas que retratam situações fisicamente instáveis a partir de temas que vão desde a arquitetura, passando pela pintura, desenho até o cinema.

Com o intuito de buscar um novo recorte ao tema tratado, o artista optou por não apresentar "imagens em movimento", como o próprio título da exposição sugere. Para isso, Pappalardo recorre a diversos suportes: grandes livros impressos em tecido, longas peças de resina epóxi com imagens encapsuladas, chapas de vidro fotográficas realizadas em "dusting on", fotogramas em "goma bicromatada" — esses últimos envolvendo processos fotográficos do século XIX — bem como impressões jato de tinta sobre papel algodão, resultando num conjunto caleidoscópico.

As peças se apresentam como pequenos enigmas cujas tramas mostram-se ocultas à espera de serem desveladas pelo observador, tanto de forma visual como manual, no caso de alguns polípticos articuláveis e dos livros. Em um plano poético, Pappalardo busca interpelar os movimentos que se desenrolam no pensamento, com base na afecção entre o olhar e as imagens. Para ele, esse processo tanto poderá se consolidar de forma individual “a partir das partes soltas, imersas em um universo aparentemente caótico, quanto conectadas umas às outras, caso o observador deseje ativar um jogo pessoal com elas”, ele define.

Por ocasião da exposição, o filósofoensaísta e professor húngaro radicado no Brasil Peter Pál Pelbart (Budapeste1956) fará uma palestra cujo objetivo é menos uma análise crítica da mostra do que a inserção de alguns conceitos relacionados ao tema daquela a partir da perspectiva filosófica. Será dia 22 de fevereiro, quinta-feira, às 19h.


Arnaldo Pappalardo

1954, São Paulo. Formou-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e realizou acompanhamento fotográfico com Claudia Andujar (1975) e de desenho com Carlos Fajardo (1977 a 1979). Recebeu importantes prêmios como o The Royal Photographic Society Photobook Award, RM Photobook Award, Reino Unido (2016); Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea, Brasil (2011); Prêmio Fotografia Aplicada – Funarte, Brasil (1997); Leopold Godowsky, Jr. Color Photography Awards, EUA (1991). Mostras individuais em espaços incluem Museu da Casa Brasileira, São Paulo, SP (2013); Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP (2008); Galeria Millan, São Paulo, SP (1994); mostra itinerante organizada pela Funarte (Salvador, BA; Aracaju, SE; João Pessoa, PB; Campina Grande, PB; Recife, PE; Maceió, AL; Fortaleza, CE; Teresina, PI; São Luis, MA), 1986; Masp, São Paulo, SP (1984) e Fotogaleria Fotóptica, São Paulo, SP (1982). Também participou de diversas exposições coletivas dentre as quais Ver do Meio, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP (2015); Veracidade, Mam, São Paulo, SP (2006); Novas aquisições 2003: Coleção Gilberto Chateaubriand, Mam, Rio de Janeiro, RJ (2003); Coleção Pirelli de fotografia, Masp, São Paulo, SP (2002); Labirinto e identidades, Centro Português de Fotografia, Lisboa, Portugal e Bienal Internacional de Fotografia, Curitiba, PR (2000); Brasilianische Fotografie 1946-1998, Kunstmuseum Wolfsburg, Wolfsburg, Alemanha (1998); Arte/cidade, São Paulo, SP (1997); Interiores, Mam, Rio de Janeiro, RJ (1996); Reencontres internationales de la photographie, Arles, França (1980 e 1991); Brasil projects , MoMA PS1, Nova York, EUA e Esposizione internazionale della Triennale di Milano, Física Galeria Sotterranea, Milão, Itália (1988); Mois de La Photo, Paris, França (1986); 1ª Bienal de La Habana, Havana, Cuba (1984); entre outras.

Pisa na Paúra

LENORA DE BARROS
22 . nov . 2017  -  20 . dez . 2017 , Anexo Millan
abertura 21 . nov . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
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A artista visual Lenora de Barros expõe sua produção mais recente, de 22 de novembro a 20 de dezembro de 2017, após uma temporada de pesquisa em Nova York. Pisa na Paúra ocupa o Anexo Millan e examina temas como violência e medo por meio de diferentes suportes, incluindo vídeo, instalação, lambe-lambe e cerâmica.

A palavra “paúra”, que é sinônimo de medo, tem a mesma raiz de “pavor” e de “espanto”: pavere, em latim, significa “estar tomado de pavor ou espanto, estar possuído”. A artista adentra as dimensões etimológicas daquela palavra para engendrar um conjunto de obras inéditas que marca uma nova fase em sua carreira. Ela se lança agora a novos desafios ao dedicar-se ao ofício manual, em especial a cerâmica, pesquisa que levou a cabo durante seis meses no Sculpture Space, em Nova York, nos Estados Unidos.

Na entrada do espaço expositivo, Lenora cobrirá duas grandes paredes (de 6,5 x 11 m) com lambe-lambes com a expressão “pisa na paúra” escrita à mão. O texto repete-se de forma obsessiva e rítmica e sobrepõe-se até quase atingir o estado entrópico. O remate é uma passagem poética e radical da linguagem verbal para o desenho.

No centro da mesma sala, os visitantes serão convidados a pisar nas letras da palavra “paúra”, feitas de argila, que evocam literalmente o sentimento do título da exposição, a ideia de pisar no medo. A cerâmica também surge numa série de pequenas esculturas intitulada Máscaras de Mão (2017), cujo formato e escala se assemelham a luvas de boxe, mas também sugerem rostos desfigurados.

O processo para sua realização partiu de um insight da artista ao explorar a matéria por dentro, seu aspecto visceral. “Essa situação primitiva do barro e como isso poderia se prestar a minha poética me interessam. No início, tinha medo do processo de criar a forma, e esse sentimento me fez resgatar um poema que escrevi em 1972”, conta ela, referindo-se a MEDO DA FORMAAMORFA. A visceralidade já era um elemento recorrente em sua trajetória, mas agora assume caráter mais sensitivo.

Numa linha de pesquisa que se desenvolvia paralelamente e em diálogo com as peças de cerâmica, a artista vinha fazendo experimentos com alvos utilizados em academias de tiro – um elemento incômodo e perturbador num tempo em que a violência se dissemina de maneira assustadora e se volta contra alvos determinados, mas também aleatórios. Durante o processo de pesquisa, Lenora decidiu recolher no lixo de uma academia de tiros em São Paulo alguns exemplares de alvos usados, que serão apresentados na mostra. “Chamou minha atenção a carga de violência contida nessas figuras em ‘decomposição’ após os tiros que receberam – imagens de corpos que nunca viveram, mas morreram de forma violenta”, comenta.

As peças também serviram como ponto de partida para o vídeo Alvos, que foi gravado numa das salas dessa academia, no qual a artista posiciona a figura do alvo no próprio rosto. “O que se destacou nessa imagem é o fato de o ponto que direciona o tiro estar situado em cima da boca. Essa conexão com a língua e a linguagem me interessa”, explica, e complementa: “O intrigante é que essa figura possui uma expressão impávida, cujo significado é justamente o oposto de ‘paúra’”.

Lenora de Barros realizou seus primeiros trabalhos na década de 1970, num campo de pesquisas que privilegiava as relações entre palavra e imagem. Filha do artista Geraldo de Barros (1923-1998), ela conheceu de perto o ambiente do construtivismo paulista. “Cresci nesse meio estimulante interagindo com artistas e poetas, sob a influência do concretismo, da cultura pop e do clima de experimentalismo e transgressão de setores do meio cultural na época em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Tudo isso me influenciou e estimulou o desenvolvimento de meu trabalho, que veio a se encontrar com o ambiente mais amplo da arte contemporânea.”

Décio Pignatari – Na Arte Interessa O Que Não

CURADORIA DE JOÃO BANDEIRA
22 . nov . 2017  -  20 . dez . 2017 , Galeria Millan
abertura 21 . nov . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
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A Galeria Millan recebe, de 22 de novembro a 20 de dezembro de 2017, a exposição Décio Pignatari – Na Arte Interessa O Que Não, com curadoria de João Bandeira. A singularidade da mostra se caracteriza pela apresentação de uma maioria de trabalhos menos conhecidos, incluindo alguns há muito fora de circulação, produzidos entre os anos 1950 até os 2000, sem deixar de fora exemplos dos clássicos da produção de Décio Pignatari, num conjunto de cerca de cinquenta obras.

Também serão exibidos manuscritos e datiloscritos originais, cartas, fotografias e outros documentos, alguns deles jamais vistos publicamente, e ainda material sonoro e audiovisual. A exposição, que ocupa os dois andares da galeria, se propõe a dar um panorama conciso mas multifacetado da produção artística de Décio, que amplia a compreensão de sua obra para além do reconhecimento como um dos fundadores da poesia concreta ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos.

Ao longo de mais de meio século de atuação no meio cultural do país, Décio Pignatari explorou nos seus trabalhos não apenas a dimensão semântica, mas também sonora e principalmente visual da linguagem. Nome-chave da poesia visual no Brasil, ficou conhecido por sua inquietude criativa, sendo também autor de peças de teatro, contos e um romance, sempre com alto grau de experimentação, além de uma série de textos de referência nas áreas da semiótica e da teoria da comunicação.

Parte da sua rica produção artística poderá ser vista na exposição, incluindo originais de época de poemas visuais como Terra (1958) e o icônico Beba Coca-Cola (em versão serigráfica assinada por Décio em 1991), além de obras como Pelé e Agora, da série Poemas Semióticos (1964) e uma tiragem fac-símile de Cr$isto é a Solução (1967) — que o público poderá levar pra casa — que dialogam de perto com o contexto atual do país. Em meio a uma variedade de técnicas e suportes – impressos em offset e em serigrafia, objetos, gravações de áudio e outros – os visitantes terão acesso a dois importantes poemas-livro, Life (1958) e Organismo (1960), disponibilizados em réplicas que poderão ser manipuladas no espaço expositivo.

O curador João Bandeira considera que a obra de Décio Pignatari “é como um continente ainda mal conhecido”. E completa: “o trabalho do Décio ao lado dos irmãos Campos na criação da poesia concreta nos anos 1950 e a discussão sobre isso que ele encampou com eles é, com certeza, uma herança fundamental. Mas a originalidade e a amplitude da produção dele não se esgotam aí. Ele tinha uma coragem de arriscar que eu acho admirável. Além do Décio designer de linguagem naquele padrão suíço mais conhecido, tem também o Décio “udigrudi”, que trocava figurinhas com, por exemplo, Hélio Oiticica ou Júlio Bressane, e que criou com Rogério Duprat o impagável ‘Marda – Movimento de Arregimentação Radical em Defesa da Arte’, pautado pela mais ácida irreverência, de onde saíram roteiros para fotonovelas e coisas como happenings ao som do jingle Brazil, My Mother (de 1970), que, aliás, vai estar também nesta exposição na galeria Millan”.

Miss Natural e outras pinturas

ANA PRATA
10 . out . 2017  -  12 . nov . 2017 , Anexo Millan
abertura 10 . out . 2017, 19h - 22h
(ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h):
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    Ana Prata
    Escultura, 2017
    Óleo sobre tela
    150 x 120 cm

A Galeria Millan apresenta, de 10 de outubro a 12 de novembro de 2017, Miss Natural e outras pinturas, a segunda exposição individual de Ana Prata na galeria. A mostra ocupa o Anexo Millan e reúne em torno de vinte pinturas em óleo sobre tela que variam entre pequenos e grandes formatos. A artista opera com narrativas não lineares, onde aspectos temáticos e formais se entrelaçam. Cada pintura é para ela uma forma específica e singular de organizar e apresentar uma ideia, e quando postas em conjunto estabelecem novo sentido. Em seu trabalho, há uma ambiguidade latente que pode transitar entre o humor, a interioridade e o espírito crítico.

Nesta exposição algumas famílias de trabalhos são apresentadas, entre elas: figuras humanas, formas geométricas, paisagens e pinturas abstratas gestuais. Um triângulo pode tanto apresentar referências simbólicas — como uma espécie de portal, ou uma ideia de ascensão — como pode remeter, pela maneira como foi pintado, a um vocabulário pictórico do séc. XX. Temas como este, quando colocados ao lado das pinturas de figuras femininas, fazem emergir outros sentidos formando uma teia que não procura encontrar uma resposta, mas sim abrir caminhos de percepção.

No âmbito do feminino, a artista formula uma personagem intitulada Miss Natural, que aparece em alguns trabalhos e pode nos remeter ao conceito da “mãe universal”, figura mítica presente em diversas culturas e religiões pagãs, ou mesmo flertar com o ideal hippie de “retorno às origens” e seus remanescentes na cultura vigente. O trabalho da artista mantém um caráter ambíguo, fato que se torna evidente quando nos damos conta de que a mão de uma dessas figuras femininas pode também nos lembrar as luvas do personagem Mickey Mouse.

As paisagens de montanhas e lagos se estruturam em torno de um mesmo esquema de desenho (que possui a despretensão de um desenho infantil), mas com técnica e visualidade singular, criando temperamentos variados, formalmente díspares. Ao olhar o trabalho de Ana Prata, é perceptível a relação direta que a artista estabelece com diversos momentos de história da arte moderna, como se este diálogo fosse uma ferramenta para o seu fazer. Porém, Prata não cria resistência à diversidade que este diálogo possibilita, e sim o utiliza para o exercício da liberdade.

Respirar sem oxigênio

ORGANIZAÇÃO DE REGINA PARRA
10 . out . 2017  -  04 . nov . 2017 , Galeria Millan
abertura 10 . out . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
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    Regina José Galindo
    Tierra, 2013
    Vídeo digital colorido com som
    33 min, 30 seg

A Galeria Millan apresenta, de 10 de outubro a 4 de novembro de 2017, a exposição coletiva Respirar sem oxigênio, organizada pela artista Regina Parra. A mostra reúne trabalhos de 24 artistas, incluindo nomes da nova geração — Bruno Levorin, Claudio Bueno, Gui Mohallem, Haroldo Saboia, Heloisa Franco, Julia Gallo & Max Huszar, Julia Ayerbe, Laura Davina, Malka Borenstein, Patrícia Araujo, Thany Sanches — em diálogo com obras importantes de Ana Mazzei, Afonso Tostes, Artur Barrio, Caetano Dias, Fancy, Lenora de Barros, Leticia Parente, Jannis Kounellis, Regina José Galindo, Nelson Felix, Tatiana Blass e Tunga. A proposta é investigar a vulnerabilidade do corpo como um meio para criação de novas potências a partir de um rico diálogo entre diferentes gerações de artistas brasileiros e estrangeiros.

A seleção de obras atravessa os anos 1970 até 2017 e inclui vídeos, esculturas, objetos, pinturas e desenhos que percorrem as distintas deformações sofridas pelo corpo contemporâneo. Deformações que não são torturas mas resultado das “posturas de um corpo que se reagrupa pela vontade de dormir, de vomitar, de se revirar, de ficar sentado a maior parte do tempo.” (Lapoujade, David. O corpo que não aguenta mais); vindas portanto da exaustão, do esgotamento, de um corpo que já não aguenta mais. “É condição própria do corpo ser afetado pelas forças do mundo. Deleuze insiste que um corpo nunca deixa de ser submetido a encontros e confrontos: com a luz, com o oxigênio, com os alimentos, com os sons etc. Um corpo é, segundo ele, sempre ‘encontro com outros corpos’”, conta Parra.

Se essa situação de extrema fragilidade pode ser vista como um sinal de resistência, o esgotamento não seria necessariamente uma paralisia total. Como, então, transformar a grande fadiga em potência? Como respirar sem oxigênio? Essa é a ideia central que será colocada pela curadora: o corpo em colapso como meio para investigação e criação de novas potências frente às contingências políticas, culturais e afetivas da vida contemporânea.

Para complementar a proposta, Regina Parra convidou o coreógrafo Bruno Levorin para desenvolver uma ação como reposta à questão “Quais são os espaços e limites que circunscrevem a comunicação entre dois corpos?”. Levorin vai partir do encontro com o artista visual Haroldo Saboia para investigar práticas coreográficas que discutam a relação entre gesto, nomeação e invocação.

DAS MÃOS E DO BARRO: JULIA ISÍDREZ, EDILTRUDIS NOGUERA E CAROLINA NOGUERA

CURADORIA/CURATED BY: ARACY AMARAL
02 . set . 2017  -  30 . set . 2017 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 02 . set . 2017, 12h - 16h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Julia01
    Julia Isídrez
    Vasija roja - Pieza con ondulaciones, rostro, patas y cola zoomorfas, 2017
    Cerâmica
    72 x 62 x 62 cm
  • Julia02
    Julia Isídrez
    Figura roja zoomorfa con pico y cuerpo con ondulaciones, 2017
    Cerâmica
    36 x 28 x 28 cm
  • Ediltrudir02
    Ediltrudis Noguera
    Figura pequeña mujer, 2017
    Cerâmica
    63 x 36 x 22 cm
  • Ediltrudir01
    Ediltrudis Noguera
    Figura zoomorfa (equino), 2017
    Cerâmica
    88 x 43 x 67 cm
  • Carolina02
    Carolina Noguera
    Vaso esférico com seis anjos, 2017
    Cerâmica
    32 x 29 cm
  • Carolina01
    Carolina Noguera
    Figura materna, 2017
    Cerâmica
    38 x 31 cm

A Galeria Millan recebe, de 02 a 30 de setembro de 2017, a exposição inédita Das mãos e do barro, com curadoria de Aracy Amaral, co-curadoria do artista Osvaldo Salerno, um dos diretores do Museo del Barro, de Assunção, e participação do teórico Ticio Escobar. A mostra, que ocupa os espaços da Galeria e Anexo Millan, apresenta pela primeira vez em São Paulo a visceralidade presente na tradição centenária da cerâmica paraguaia a partir de um conjunto de 114 obras, realizadas em 2017, das artistas daquele país: Julia Isídrez, Ediltrudis Noguera e Carolina Noguera.

A mostra foi concebida por Aracy Amaral em 2009, por ocasião de sua curadoria na Trienal do Chile, quando a curadora teve um contato mais profundo com as obras dessas três artistas guaranis autodidatas que honram uma tradição centenária, cujas raízes remontam ao período pré-colombiano, em seu país de origem. “Artesãs que laboram diuturnamente, tendo aprendido com suas mães, que por sua vez aprenderam com suas mães, numa cadeia que vem quase desde o período colonial até nossos dias. A mulher amassa o barro úmido, o homem trabalha na cestaria ou na marcenaria”, conta Amaral.

Itá e Tobatí, cidades natais de Julia Isídrez e das irmãs Ediltrudis Noguera e Carolina Noguera respectivamente, são dois reconhecidos centros de produção de cerâmica Guarani, povo que cultiva a tradição das artes do barro, caracterizada pela produção de urnas funerárias e vasos votivos. As peças das paraguaias carregam rastros do dia partilhado entre os afazeres domésticos, os cuidados com os filhos e a casa, onde o trabalho em barro acontece ao lado do fogão e do cômodo em que suas famílias dormem. “Os movimentos do lar mudam e aparece outra dinâmica que interrompe o hábito”, define a escritora Lia Colombino.

As três artistas trabalham com o barro com inaudita personalidade e já se apresentaram em importantes exposições na América Latina e na Europa, incluindo a Documenta 13, de Kassel. Carolina Noguera (Compañia 21 Julio, Tobatí, 1972)  filha da prestigiosa ceramista Mercedes Areco de Noguera, desde criança começou a trabalhar com a mãe, seguindo a tradição hereditária pré-colonial. Aos 17 anos, Carolina tomou um caminho independente, momento em que começa a desenvolver um estilo próprio, marcado por figuras humanas e angelicais, que até hoje caracteriza sua obra. Começou a adquirir notoriedade a partir do documentário Kambuchi, realizado por Miguel Agüero e que estreou em 2011.

Ediltrudis Noguera (Compañia 21 Julio, Tobatí, 1965), assim como sua irmã Carolina, também dedica-se à arte do barro mas sua prática volta-se para os cântaros (vasos para beber de origem greco-romana) de formas zoomorfas ou antropomorfas, apresentando poderosas imagens de touros, de cavalos e de humanos. Recentemente, seu forno doméstico foi substituído por outro maior para cocção de peças maiores. Tem exposto amplamente no Paraguai e no exterior, a exemplo da Trienal de Santiago, Chile. Em fevereiro de 2017, participou de um seminário de artesanato na Cidade de Antígua, na Guatemala, a convite do Setor de Fomento de BANAMEX, Banco Nacional do México, evento que reuniu grandes mestres da Arte Popular Ibero Americana.

Julia Isídrez (Compañia Caaguazu, Cidade de Itá, 1967), filha da artista Juana Maria Rodas (1925-2013) com quem também aprendeu, assim como as irmãs Noguera, o ofício de ceramista. Seu trabalho concentra-se tanto em peças pequenas, ora inspiradas em animais do ambiente doméstico e seu entorno (cobras, tatus, galinhas, patos, pulgas, aranhas, percevejos, escorpiões, etc.); como também escalas maiores que exploram formatos de vasos e urnas. Expõe internacionalmente desde 1976, incluindo a Galeria da UNESCO, Paris, o Centro de Artes Visuais, Museo del Barro, Assunção (1998,1999), Bienal do Mercosul, Porto Alegre (1999), Feira ARCO, Madrid (2007), 35ª Versão da Mostra Internacional de Artesanato Tradicional, Santiago, Chile (2008), Trienal de Santiago, Chile (2009) e a Documenta de Kassel (2013).

Ao reunir pela primeira vez no Brasil um rico conjunto das obras dessas três artistas, Das mãos e do barro traz uma importante reflexão acerca do fenômeno da arte popular paraguaia bem como sua força expressiva que, ao lado das tradições fabril e musical, estão adquirindo novos contornos diante de uma realidade de comunicação global que amplifica sua produção criativa. Trata-se de obras que traduzem “a transformação do utilitário frente ao fenômeno da contaminação globalizante em uma arte que se faz presente hoje, não apenas em exposições locais e no Museu do Barro, como em eventos internacionais e mostras em outros países”, conta Amaral. Por outro lado, também aponta para o dilema de qualquer tradição centenária entre manter-se ou renovar-se que, ao tentar atender a emergência de um mercado sempre ávido pelo novo, corre o risco de desaparecer.

TIAGO MESTRE

NOITE. INEXTINGUÍVEL, INEXPRIMÍVEL NOITE.
12 . jul . 2017  -  12 . ago . 2017 , Galeria Millan
abertura 12 . jul . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
  • Tm_9210_30x17x16_2017
    Crash
    2017
    cerâmica
    30 x 17 x 16 cm
  • Tm_9217_18x17x17_2017
    Canaletto
    2017
    guache sobre argila crua
    15 x 12 x 8 cm
  • Tm_9213_70x30x25_2017
    Árvore
    2017
    argila crua
    70 x 30 x 25 cm

Artista português que vem ganhando destaque na cena artística brasileira, Tiago Mestre expõe, entre 12 de julho e 12 de agosto, pela primeira vez na Galeria Millan. A mostra “Noite. Inextinguível, inexprimível noite.” empresta seu título do poema “Lugar II” do poeta português Herberto Helder (1930-2015) e reúne um conjunto de 60 obras que exploram a questão da forma e do mito do projeto moderno no âmbito da escultura. Materiais como argila, bronze e gesso dão corpo à obras que se posicionam numa constante negociação entre projeto e imprevisibilidade, entre programa e liberdade expressiva.

O conjunto de obras inclui esculturas de diferentes escalas, vídeo, intervenções na arquitetura da galeria e uma grande instalação (elemento paisagístico que organiza toda a exposição). Estes trabalhos remetem aos primeiros intentos humanos de assimilar o natural dentro de um pensamento projetual, mapeando o processo de assimilação da paisagem a partir do intelecto. “A ideia de projeto como pano de fundo, como orquestração de um sistema”, explica Mestre.

Cada uma das esculturas parece evidenciar um fazer sumário, claramente manual, como se estivesse inacabada ou em estado de puro devir, deixando, muitas das vezes, uma filiação ambígua quanto à sua natureza disciplinar. O uso da cor surge pontualmente, não tanto como sistema, mas antes como recurso que acentua, corrige ou esclarece questões pontuais do trabalho. Essa indefinição semântica, ou transversalidade programática é um dos eixos do trabalho. A problematização da capacidade performática de cada uma das obras é tornada evidente (senão parodiada) em situações como a da escultura de dois morros (obra que a dois tempos é escultura paisagística e nicho para outras obras menores).

O vídeo, que se apresentará no andar superior da galeria, coloca-se como uma espécie de síntese geral da mosta. A imaterialidade deste suporte contrasta de maneira decisiva  com o lado predominantemente objetual dos restantes trabalhos. Nele assistimos a uma transmutação lenta, silenciosa e interminável de formas geométricas e orgânicas, numa referência “apática” ao mito da arquitetura brasileira, à sua relação singular com a natureza e a paisagem.

Embora alguns dos procedimentos da arquitetura estejam envolvidos em seu processo — a exemplo dos croquis e as maquetes de estudo — o olhar de Mestre volta-se mais para a percepção da experiência dos corpos no espaço, sejam eles naturais, escultóricos, ou arquitetônicos. Parece ser essa intimidade entre natureza, espaço e forma, que a presente mostra de Mestre propõe desvelar.

RODRIGO ANDRADE

DUAS CAVERNAS
01 . jun . 2017  -  01 . jul . 2017 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 31 . mai . 2017, 19h - 22h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • _18a1256_cut
    Detalhe de Bellini
    2016
    Óleo sobre tela sobre mdf
    60 x 75 cm

Um dos mais importantes pintores da geração 80, Rodrigo Andrade expõe, de 1 de junho a 1 de julho de 2017, sua produção mais recente na Galeria Millan e Anexo Millan. Duas Cavernas contempla as principais vertentes trabalhadas intensamente pelo artista nos últimos meses. Conhecido por sua capacidade de mudar radicalmente o rumo de sua produção, em busca de novos caminhos de pesquisa, Andrade vive um momento de maior síntese, em que os vários percursos trilhados em 33 anos de carreira parecem confluir para uma maior interação. E cria, com essa exposição, uma interessante interface de diálogo com a grande mostra retrospectiva de sua obra, que ocorre no final do ano na Estação Pinacoteca.

Ao todo a mostra reunirá entre 25 e 30 telas, que se organizam em torno de três eixos principais: as paisagens, inspiradas em sua grande maioria por obras clássicas assinadas por mestres como Ruysdael, Uccello e Bellini (que ocuparão o espaço da galeria); as pinturas abstratas, chamadas de Bilaterais, formadas por dois grandes campos cromáticos em equilíbrio (exibidas no anexo); e, como fiel da balança – por trazer questões familiares aos dois grupos anteriores – uma série de trabalhos recentes, apelidados de “figuras binárias".

Essas figuras binárias transitam entre o abstrato e o figurativo e lidam sempre com a ideia do duplo, do reflexo, aspecto bastante presente em toda a produção do artista. Algumas delas remetem ao universo dos cartoons ou a referências da história da arte (é o caso das telas Fera e Princesa, em diálogo evidente com São Jorge e o Dragão, de Uccello, e Bicho e Pedra, depois de Neves Torres, feita a partir de um trabalho do autor citado no título). Outras mais indecifráveis, como a gigantesca pintura mural, de 6 x 11 metros, que Andrade fará numa das paredes do anexo.

As grutas, catacumbas e rochedos, temas pitorescos do século XIX, encantam o artista há tempos e ele vem colecionando imagens do gênero desde 2010 e reelaborando pictoricamente esse motivo, até chegar no estágio atual.  Tanto as cavernas como seus outros trabalhos são corpos volumétricos que se projetam para além do plano e conquistam o espaço. Para lidar com as massas de tinta – num tipo de trabalho que remete às pinturas com formas geométricas feitas por ele nos anos 2000, e que acabaram se tornando uma espécie de assinatura artística – Andrade lança mão de máscaras, moldes cuidadosamente desenhados no processo de recortar.

Desde os primeiros anos, quando seu trabalho e o de outros companheiros – reunidos no ateliê Casa 7 – ganhou projeção ao participar da 18a Bienal de São Paulo, várias foram as mudanças radicais em sua produção. A última delas ocorreu em 2010, quando Andrade – que vinha fazendo um trabalho fortemente abstrato – surpreendeu o circuito com as paisagens negras, imateriais, feitas a partir de registros fotográficos, que mostrou na 29a Bienal (2010). Agora, além de uma enorme vitalidade e de um retorno em busca a uma maior presença da cor e da forma, o artista parece mais disposto a trilhar caminhos paralelos, descobrindo em cada um deles elementos para nutrir sua pesquisa.

 

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