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LAPSO

FELIPE COHEN
03 . mai . 2013  -  01 . jun . 2013 , Galeria Millan
abertura 02 . mai . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • Fc_land_escape_a_foto_everton_ballardin
    Land Escape # 7, 2013
    mármore travertino turco, mármore travertino romano e saco plástico
    32 x 22 x 2 cm
  • Fc_vitrine_a_foto_everton_ballardin
    Sem título, 2013
    madeira, vidro e garrafa de vidro
    90 x 105 x 70 cm
  • Fc_vitrine_b_foto_everton_ballardin
    Sem título, 2013
    madeira, vidro e garrafa de vidro
    90 x 105 x 70 cm
    detalhe
  • Convite_imagem3_felipecohen_galeriamillan
    Sem Vento, 2013
    madeira, vidro e graveto
    90 x 100 x 70 cm
    detalhe
  • Fc_vitrine_d_foto_everton_ballardin
    Sem título, 2013
    madeira, vidro e garrafa de vidro
    90 x 105 x 70 cm

A exposição Lapso explora, a partir de um conjunto de dez obras (esculturas e uma intervenção arquitetônica), a ideia de duração temporal através de objetos que deixam à vista somente o início e o fim de uma ação, ou mesmo de uma transformação entre materiais e formas. O duplo sentido da palavra lapso (que, além de significar uma decorrência temporal, também remete a erro ou falha de um processo em relação ao seu padrão) aprofunda a interpretação de cada obra bem como a relação entre elas. Para figuração dessas narrativas (de deslocamento temporal ou transformação matérica), o artista utiliza materiais do cotidiano, como garrafas e sacolas plásticas, interagindo com dispositivos como vitrines e materiais clássicos da arte, de forma a ressignificar momentos e situações ordinárias pela contaminação entre esses dois contextos. 

Em texto de sua autoria, de 2008, o artista revela que seu trabalho já então se desenvolvia, há algum tempo, “a partir da tensão dada pelo conflito de uma tradição da arte, principalmente da escultura, com formas contemporâneas de dispor o objeto”, o que continua a se fazer presente nesta exposição: uma paisagem de mármore é construída dentro de um saco plástico; uma vitrine de vidro e madeira, precisamente formalizada, sustenta um galho de árvore; uma lasca de vidro, de uma vitrine quebrada da Galeria, transmuta-se em mármore.

Na peça Resgate, por exemplo, duas sacolas plásticas, unidas por uma de suas alças, contêm pedaços meticulosamente cortados de mármore carrara. Mais que o conteúdo dessas sacolas (a mesma pedra que, pela ação do homem, se partiu em duas), a disposição das mesmas remete tanto a uma decorrência temporal (como um frame congelado de um filme) quanto a uma espécie de engano ou falha (a queda), abrangendo em si os dois sentidos da palavra lapso: enquanto uma delas está sobre a mesa, a outra pende desse suporte, sendo a única coisa que lhe impede de cair ao chão sua união à primeira (as duas alças veem-se transfiguradas, então, em braços – um que socorre, outro que luta por sobrevivência).

A observação do conjunto da exposição (e mesmo de sua produção como um todo) revela que o lapso de Felipe Cohen é ele também, como muitos dos elementos explorados pelo artista, um simulacro, uma fantasmagoria. Assim como, em uma das vitrines exibidas, o prego real jamais se encontra com o buraco que deveria contê-lo (apenas seu reflexo – uma ausência cuja imagem se transveste de presença – chega à iminência desse contato), o lapso do artista é estudado, à escola dos filósofos franceses que, em aula, simulavam a naturalidade de um ato falho para efeitos pedagógicos. A simulação das obras de Cohen, porém, não busca ensinar nada stricto sensu, é pura fenomenologia: abre-nos os olhos para as diferentes temporalidades de cada material, para as impossibilidades tornadas (irônica e paradoxalmente) possíveis. O lapso – temporal ou psicológico – é construto racional, consciente, e lá foi colocado para criar a possibilidade de uma revelação fenomênica, pela qual a ordem comum das coisas e da nossa percepção ganham um desdobramento inusitado.

[INFILTRAÇÕES]

EMMANUEL NASSAR
22 . mar . 2013  -  20 . abr . 2013 , Galeria Millan
abertura 21 . mar . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • En_5551_122x180cm_2012_site
    Perfuráveis, 2012
    acrílica sobre eucatex, martelo e bocal para lâmpada
    122 x 180 cm
  • _mg_9696
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9711
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9703
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9685
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9677
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9674
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9671
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9706
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9716
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin

Em sua quinta individual na Galeria Millan, Emmanuel Nassar se torna ainda mais ousado na exploração crítica dos mecanismos que sustentam o meio das artes (modus operandi que permeia sua trajetória desde os anos 1980). Com abertura no dia 21 de março, [infiltrações] traz uma ampliação do repertório de apropriações e embaralhamentos de Nassar, que cita e se deixa citar por obras de outros artistas, criando uma espécie de jogo para o visitante e questionando o conceito de espaço individual, coletivo e autoral.

Procedimento que compartilha com uma série de artistas de sua geração, a apropriação de imagens pré-existentes, o esvaziamento de seu significado prévio e sua ressignificação (em geral como invólucro formal aberto a uma multiplicidade de significados, nenhum mais correto que o outro) são marcas do trabalho de Nassar. O artista paraense construiu seu universo poético a partir da contaminação entre a tradição erudita (especialmente a construtiva) e a imagética popular do norte do Brasil, aproximando ambas as linguagens, ao mesmo tempo em que permite que se questionem mutuamente, em espécie de eterno procedimento dialético.

Ocupando mais que o espaço expositivo tradicional, a exposição de Nassar se infiltra pelas demais áreas da Galeria, explorando-as de forma a esfumaçar os limites autorais entre suas obras e as dos outros artistas que ocupam tais espaços. A mostra tampouco se restringe a apresentar apenas sua produção mais recente, colocando lado a lado trabalhos de diferentes períodos e em diferentes suportes (objetos, pinturas, chapas metálicas e desenhos), prezando pela ampla gama de novos significados que podem surgir a partir dessas relações.

Se, como foi dito pelo crítico Tadeu Chiarelli, Nassar esgarça “até o limite as bordas entre arte e antiarte, testando, nesse processo, a cumplicidade dos outros componentes do circuito e a complacência do espectador comum”, é justo dizer que, em [infiltrações], Nassar descobre novos limites tanto para essa fronteira quanto às relações que a envolvem.

B O L E T I M

CURADORIA: PAULO MIYADA
04 . fev . 2013  -  09 . mar . 2013 , Galeria Millan
abertura 02 . fev . 2013, 11h - 17h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
  • Berna
  • Vitor_cesar_osso_rico_serie_romance_policial_2012
  • Vitor_cesar_ferrari_serie_romance_policial_2012
  • Vitor_cesar_felino_e_lion_serie_romance_policial_2012
  • Vijai_trocas_bruscas_ocorrem_gradualmente
  • Vijai_dia-nao_2012_livro_200pp_500copias
  • Vijai_ataques_selvagens_de_cinismo_2012

Berna Reale, Pedro França, Vijai Patchineelam e Vitor Cesar são quatro artistas de partes diferentes do país que sustentam uma atenção constante aos dilemas políticos do tempo presente. As maneiras como esse comprometimento se manifesta em suas obras são radicalmente diversas, indo da alusão alegórica em elaboradas composições fotográficas, no caso de Berna Reale, até o jogo de desdobramentos gráficos e conceituais entre os campos público e privado, no caso de Vitor Cesar.

Pela reunião e produção de trabalhos inéditos desses artistas, o curador Paulo Miyada aborda as maneiras como a arte participa da produção de entendimentos sobre os acontecimentos que lhe cercam, oferecendo-se como parcela de um possível fórum público de debates. Fotografias, vídeos, livros, cartazes, desenhos, instalações e objetos ocuparão todo o espaço da Galeria Millan, constituindo uma reflexão sobre a possibilidade da arte contemporânea ocupar o espaço deixado pela decadência do "uso público da razão" em um mundo saturado por imagens dissimuladas.

Os artistas foram escolhidos pela precisão de seus processos criativos e pelo interesse em participar de discussões curatoriais e encontros entre todos os participantes da exposição. Na composição do grupo foi dada prioridade à diversidade das táticas que empregam para conectar suas obras com seus discursos acerca da realidade, e cada um dos artistas teve o apoio da Galeria Millan para desenvolver obras e projetos ainda não apresentados ao público, procurando responder à proposta da exposição.

Berna Reale, de Belém, vive cotidianamente os impasses de uma metrópole contraditória e marcada por diferenças sociais, ao mesmo tempo em que acompanha notícias de violência remetidas de todas as partes do globo. Sua obra propõe uma espécie de alegoria do tempo presente, através da construção de cenas com personagens que representam ora aqueles violentados, ora aqueles que impõem a violência em diversas zonas de conflito. Essa cenas são performadas pela própria artista, que escolhe figurinos, objetos de cena e locações que simbolizam os confrontos abordados. Para a exposição Boletim, Berna desenvolveu uma série fotográfica que aborda momentos críticos do mundo contemporâneo que são de conhecimento comum e, ainda assim, apresentam-se como desafios à compreensão: o abuso de poder de soldados norte-americanos no Oriente Médio; a condição de invisibilidade dos presos políticos de Guantánamo; a presença constante da morte em territórios mulçumanos; e a restrição dos direitos civis em fábricas chinesas.

Vitor Cesar, de Fortaleza (vive em São Paulo), estuda a constituição do espaço discursivo da arte, apropriando-se das qualidades gráficas e discursivas de seus elementos de sinalização e nominação. Suas proposições questionam a especialização de artistas, público e instituições como polos isolados, enfatizando os seus pontos de contato e as relações de reciprocidade que os definem mutuamente. Para tanto, suas propostas muitas vezes extravasam os suportes usualmente associados às obras de arte, como molduras e pedestais, e confundem-se com placas de rua, mobiliários urbanos e sinalizações publicitárias. Para Boletim, Vitor organizou uma síntese de sua série inédita, "Romance Policial", instalação que emula uma exposição de design de cartazes, todos criados segundo uma empreitada ficcional em que um escritório de design é contratado para estabelecer uma identidade para iniciativas recentes da Polícia Federal.

Vijai Patchineelam, de Niterói, constrói sua abordagem do mundo contemporâneo tendo como princípio caminhadas pelas cidades e o cotidiano de interação com seu espaço de trabalho e convivência com outros artistas. No tempo distendido de lugares que à primeira vista estão imersos na inércia, Vijai registra momentos de tensão física e impermanência, principalmente através de fotografias e vídeos nos quais fragmentos de ruínas e objetos envelhecidos parecem estar na iminência de colocar-se em movimento, mesmo que seja para o  colapso. Para Boletim, o artista reuniu livro, fotografias e vídeo que abordam desde o espaço urbano - o lado de fora - até o interior de um ateliê - o lado de dentro -, sempre à procura de sinais de uma irrupção que impeça a continuidade do status quo. Mesmo que marcadamente introspectivo na escala de seu olhar para o mundo, Vijai não abandona o interesse por transformações mais gerais da sociedade, apenas procura por movimentos mais sutis do que aqueles abordados pelas manchetes dos jornais, pelas promessas eleitorais e pelas assembleias de classe.

Pedro França, do Rio de Janeiro (vive em São Paulo), desenvolve modelos nos quais aspectos do mundo concreto são espelhados e refeitos no âmbito do espaço expositivo. Há nessas reconstruções uma tentativa (que se sabe frustrada desde o princípio) de apropriar-se da totalidade de um fenômeno que é, por definição, mais amplo do que qualquer meio de representação, seja ele a extensão de uma viagem rodoviária, um objeto de infraestrutura urbana de grande escala ou um fragmento da natureza. Assim, seus vídeos, desenhos e instalações procuram equivalências impossíveis, consolidando-se como modelos de estudo e evocação de uma determinada experiência. No caso do conjunto de trabalhos proposto para Boletim, Pedro persegue as imagens que tentam apresentar a figura do suicídio, caso peculiar da morte em que o sujeito contradiz o instinto fundamental de preservar a própria vida. Como síntese do limite enfrentado por qualquer representação que aborde essa categoria de eventos, o artista está desenvolvendo um desenho a carvão de grande escala (com mais de seis metros de comprimento) baseado na imagem de uma baleia que apareceu morta em uma praia há mais de um século sem nenhuma causa natural, o que foi interpretado pelos homens de então como um caso de suicídio animal.

DUDI MAIA ROSA

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL
23 . nov . 2012  -  20 . dez . 2012 , Galeria Millan
abertura 22 . nov . 2012, 20h - 23h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Dudi_01_buraco
  • Dudi_02_casa
  • Dudi_03_cemiterio
  • Dudi_04_cortina
  • Dudi_05_escada
  • Dudi_07_mesa
  • Dudi_08_portao
  • Dudi_10_sofa
  • Dudi_09_relogio
  • Dudi_11_telefone

Nesta individual na Galeria Millan, Dudi Maia Rosa retoma a vertente figurativa de seu trabalho. Muito conhecido pelos seus fibers (obras em fibra de vidro que exploram questões tanto da pintura quanto da escultura, presentes em sua carreira desde a década de 80), o artista cria esta exposição com uma nova técnica, em que parte de aquarelas e desenhos criados por ele em 2011 e 2012.  

Trata-se de uma nova frente de sua pesquisa com materiais, na qual aborda relações com a tradição pictórica de forma singular, através da revisitação de temas como a paisagem, natureza morta, cenas de cinema, fantasias e imagens para projetos não realizados. O artista apelida esses trabalhos de “cábulas”, termo que remete à sua iniciação artística, conforme seu depoimento:

Com 13 ou 14 anos, como tinha certa diferença com o ambiente da escola, precisava decidir como lidar com o tempo livre e com a solidão quando faltava deliberadamente a aulas. Depois de esconder a mala, começava a tentar decidir qual poderia ser a minha atividade. Aprendi a partir daí a inventar o que fazer. Não eram muitas as opções, mas foram determinantes para minha iniciação às artes: podia ir à sessão das duas de cinema, se tivesse dinheiro, ou perambular pela região central da cidade. Nesse mesmo “tempo livre” compreendi que queria e poderia criar algo artístico. Assim, em 1965, comecei a desenhar e criar imagens livres, com caneta bic.

Em 1978, fazendo minha primeira exposição individual no MASP, misturei técnicas diversas: telas em acrílica, peças em cerâmica pintadas e algumas vezes combinadas com colas sintéticas e pigmentos. Percebo hoje que uma das coisas mais importantes da exposição talvez seja um catálogo que produzi com baixa tiragem, com aquarelas que representavam praticamente todas as obras. A publicação teve ampla repercussão em todo o meu trabalho posterior, marcado pelo uso de uma mídia, um procedimento que está presente em meus ‘fibers’, algo “entre” a pintura e a releitura da mesma, incorporando também a matéria das esculturas.

Na presente exposição, retomo a ideia de retrabalhar imagens através de aquarelas e também poucas peças em fibra de vidro, algo bastante próximo das imagens do catálogo de 1978 - curiosamente intitulado ‘pinturas’, escrito a lápis, e marcado por um cromatismo dominante. Era um momento importante em que as “cábulas” iniciais ganhavam outra dimensão, uma certeza de que eram trabalhos que sintetizavam um risco e aventura através dos quais me comunicava com um público e me iniciava definitivamente às artes.  (Dudi Maia Rosa, setembro de 2012)

LA MÉCANIQUE DES FEMMES 2

MIGUEL RIO BRANCO
17 . out . 2012  -  14 . nov . 2012 , Galeria Millan
abertura 16 . out . 2012, 20h - 23h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Cinelandia2_copy
  • Trix_contact_3rd_street
  • 74ra
  • 02
  • Macdo

Para nomear sua individual na Galeria Millan, Rio Branco empresta do escritor francês Louis Calaferte o título de um de seus mais célebres romances, La mécanique des femmes. Na obra literária, desenvolvida ao redor do trinômio sexo, religião e morte, o narrador masculino busca se colocar na pele de uma mulher para compreender as manifestações sexuais e eróticas especificamente femininas. Na exposição de Rio Branco, vemos diversas investidas do artista sobre a questão do feminino e da sensualidade, temas recorrentes em sua produção.

O piso superior da Galeria é ocupado por uma grande peça ambiental, composta por máquinas industriais e uma projeção de vídeo. Já no térreo, além de fotografias e pinturas sobre tela, serão montadas as mesas de luz com construções com transparências onde o artista observa seus cromos, revisita fotos antigas e recentes, descobrindo possíveis conexões e correlações de imagens para suas sequências fotográficas, assemblages ou painéis. Outros objetos de trabalho também estarão dispostos pelo espaço expositivo, montado como um quebra-cabeça, junção inusitada de elementos distintos, porém não desconexos, à semelhança da própria lógica de criação do artista.

Nesta exposição, como em suas mostras recentes, Miguel Rio Branco não realiza um recorte temporal de seus trabalhos ou os aglutina em construções poéticas. Ao contrário, ao criar no espaço expositivo um ambiente semelhante a um ateliê, propõe a vivência de um lugar de experiências e montagens, de conexões entre imagens, texturas e objetos. A aglutinação e justaposição são, afinal, algumas das formas de criação de significados a que o artista recorre, especialmente em seus painéis e instalações audiovisuais. Através de conexões que vão além do óbvio, Rio Branco ultrapassa relações lógicas entre os elementos, une realidades díspares e força o olhar indiferente a de fato ver.

É O QUE É

ANNA MARIA MAIOLINO
03 . set . 2012  -  06 . out . 2012 , Galeria Millan
abertura 01 . set . 2012, 11h - 17h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 17h
  • _mg_0234
  • _mg_0202
  • _mg_0209
  • _mg_0212
  • _mg_0221
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  • _mg_0241
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Anna Maria Maiolino intitulou sua obra apresentada na atual dOCUMENTA 13 de Here  & There (Aqui e Lá): dois advérbios que meramente apontam ao público sua instalação  ocupando vários espaços de uma casa juntamente com o jardim. O título não oferece nenhuma interpretação a priori que possa vir a contaminar a experiência direta do público em contato com a obra.

Para sua individual na Galeria Millan, o título escolhido foi É O QUE É. Mais uma vez, a artista apenas indica os trabalhos. A exposição é composta por obras realizadas em diferentes suportes e técnicas: esculturas moldadas em gesso da série Entre o dentro e o fora, objetos de parede moldados em cimento da série Novos ausentes, obras realizadas em cerâmica Raku, desenhos, fotografias e vídeos.

Em memorial poético sobre a mostra, a artista afirma: “Esta exposição apresenta obras realizadas entre os anos 2005 e 2012, através de diversas mídias, técnicas. O título É O QUE É somente indica as obras sem elucidá-las, enfatizando as presenças poéticas. É O QUE É sublinha a possibilidade do real se instaurar a partir das ideias no uso de um corpo de sentidos articulado na diversidade das técnicas. As obras oferecem metáforas que se fundamentam na experiência, adquirindo essência e significados. A palavra técnica se origina do verbo grego tíkto, que no seu sentido mais amplo significa: ‘trazer ao mundo’. Logo, é na experiência que o artista enfatiza a ousadia do viver”.

Junto ao vernissage, acontece o lançamento do livreto Eu sou eu, publicação do poema que integra a instalação da artista na dOCUMENTA 13.

REALIDADE LÍQUIDA

HENRIQUE OLIVEIRA
20 . jul . 2012  -  18 . ago . 2012 , Galeria Millan
abertura 19 . jul . 2012, 20h - 23h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • _mg_0584
  • _mg_0555
  • _mg_0566
  • _mg_0544
  • _mg_0494
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  • _mg_0629
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  • _mg_0620

Em uma entrevista de 2009, Henrique Oliveira situava seu trabalho entre as categorias de pintura, arquitetura e escultura e afirmava tratar-se sempre de “criar tensão no espaço”. Essa busca pelos limites do espaço e por, através de sua exploração, provocar a percepção espacial do público (talvez até mesmo incomodá-la, já que impulsiona todo o corpo do visitante para fora de sua zona de conforto) atinge uma nova etapa na exposição Realidade Líquida, apresentada na Galeria Millan a partir de 19 de julho.

Henrique preenche o espaço expositivo da Galeria de vazio. As paredes, o teto e o piso são os mesmos de sempre, porém completamente deformados pela interferência do artista: os planos, amolecidos, convergem para uma perspectiva quase alucinógena. Se, por um lado, não há nada para se ver, a ruptura com a sensação de familiaridade do espaço é um convite a uma mudança na percepção espacial: não há uma obra no sentido canônico do termo, mas há uma forte presença no espaço, como algo que poderia estar por trás das paredes, prestes a rompê-las, ou como o resultado de um inexplicável fenômeno de estranhos resultados.

O segundo piso da Galeria acolhe a escultura Condensação, composta por um bloco de onze colchões justapostos na posição vertical. O interior deste bloco foi escavado, e seu estofamento, retirado e agrupado na forma de uma nuvem que flutua dentro da cavidade. Além de aludir ao fenômeno físico da condensação do vapor d’água em nuvens de chuva, o título da obra se refere também ao termo usado por Sigmund Freud (A Interpretação dos Sonhos) para nomear um processo psíquico comum nas narrativas oníricas de seus pacientes – processo através do qual uma única imagem aparece carregada de uma pluralidade de significações simultâneas.

O FIM DA METADE É O COMEÇO DO MEIO

PAULO PASTA
01 . jun . 2012  -  30 . jun . 2012 , Galeria Millan
abertura 31 . mai . 2012, 20h - 23h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Paulo_pasta1
  • Paulo_pasta2
  • Paulo_pasta4

Paulo Pasta apresenta, em sua segunda individual na Galeria Millan intitulada O fim da metade é o começo do meio, oito pinturas a óleo sobre tela de grandes dimensões, todas realizadas entre 2011 e 2012, e seis pinturas pequenas, também a óleo sobre tela. Na noite de 31 de maio, junto ao vernissage, acontece o lançamento do livro A educação pela pintura, de autoria do artista e realização da Editora WMF Martins Fontes. O livro reúne todos os escritos sobre arte do pintor e teve seu prefácio escrito pelo jornalista Antonio Gonçalves Filho.

Em O fim da metade é o começo do meio, o visitante poderá contemplar o desdobramento da exposição Sobrevisíveis, individual realizada pelo artista no Centro Universitário Maria Antonia em 2011. As obras que compõem a atual mostra foram, de certa forma, motivadas por uma questão que já estava presente no ano passado: a exploração da indeterminação do espaço como tema central de suas pinturas, possível principalmente pela combinação de áreas de cor que se inscrevem umas dentro das outras, sem deixar evidente qual envolve e qual é envolvida.

Seis pinturas ocupam o espaço expositivo térreo da Galeria Millan, enquanto outras duas preenchem, sozinhas, o mezanino. Ambas possuem as mesmas dimensões (240 x 300 cm) e o mesmo esquema estrutural; a diferença entre elas é criada pelas cores que as preenchem: uma composta por uma luminosidade diurna, efusiva; outra, por cores noturnas, introspectivas.

As telas expostas permitem acessar questões decisivas à obra do pintor, como a maneira pela qual a estrutura – objetiva e determinada – é indeterminada pela cor, elemento de caráter mais funâmbulo. Os esquemas de espaços internos de que o pintor parte (cruzes, traves e vigas) são preenchidos por blocos de cor em um embate potente, porém silencioso, entre ruptura e continuidade, em permanente produção do instante. 

...AINDA ASSIM, FLUTUANTE CAIÇARA...

RODRIGO BIVAR
27 . abr . 2012  -  22 . mai . 2012 , Galeria Millan
abertura 26 . abr . 2012, 20h - 23h
seg - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 17h
  • Rb_5041_200x300_2012_edouard_fraipont
  • Rb_5040_200x250_2012_edouard_fraipont
  • Rb_4608_70x90_2011_edouard_fraipont
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  • Rb_4941_200x250_2012_edouard_fraipont

Para intitular sua exposição individual na Galeria Millan, o pintor Rodrigo Bivar recorreu a ukiyo-e, uma modalidade da gravura japonesa cuja tradução literal seria “retratos do mundo flutuante”. A mostra, composta por oito pinturas a óleo sobre tela, foi, pela relação temática com as imagens nipônicas, batizada de ...ainda assim, flutuante caiçara...

Se antes as pinturas de Rodrigo Bivar despertavam um curioso estranhamento e remetiam à ficção, agora elas evocam uma sensação de familiaridade – seja pelas cenas representadas, seja por sua relação com a história da arte. Nas novas pinturas, o artista congela instantes ordinários do mundo instável. São momentos aleatórios de um dia qualquer, que têm em comum o local que os abriga (as praias de Ubatuba, litoral norte de São Paulo).

O olhar do artista viajante se faz presente em toda a exposição, principalmente na pintura Sem título (Marc Ferrez), em que Bivar pinta uma das paisagens do fotógrafo que mais contribuiu para o registro do Brasil do século XIX. A obra atua como guia e praticamente assume o papel de texto curatorial da mostra, cujas cenas e paisagens deixam transparecer o olhar sempre interessado do artista, ainda portador daquela curiosidade que o hábito tende a cegar.

Ao observar o conjunto da mostra, o elo entre as obras torna-se o protagonista: a paisagem. Nas cenas representadas, a figura humana aparece em harmonia com o ambiente, e suas atitudes – mexer em gravetos, analisar um mapa – são condicionadas por ele. Cada obra representa um todo, em que um elemento remete ao que está ao seu lado, sem diferenciação hierárquica entre os planos. Por sua vez, cada pintura relaciona-se com todas as demais, também em igual ordem de importância. ...ainda assim, flutuante caiçara... apresenta-se, então, como um perfeito sistema pascaliano, sendo impossível conhecer suas partes sem conhecer o todo, e impossível conhecer o todo sem conhecer cada uma das partes.

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