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... em algum ponto da Terra .

ARTUR BARRIO
21 . mar . 2014  -  17 . abr . 2014 , Galeria Millan
abertura 20 . mar . 2014, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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Em sua nova individual na Galeria Millan, ... em algum ponto da Terra ., Artur Barrio apropria-se do espaço expositivo, como que transformando-o em ateliê onde cria, poucos dias antes da abertura, uma situação ou experiência inédita, que poderá ser visitada entre 20 de março e 17 de abril.

A produção de Artur Barrio desafia o vocabulário artístico tradicional, de forma que a palavra “exposição” (e seu significado historicamente sedimentado) mal parece se adequar ao que o artista propõe com as ações que realiza em galerias e espaços institucionais. Mais que estender, reduzir ou distorcer a significação corrente de conceitos como espaço expositivo, obra de arte e exposição, Barrio opera a partir de outra lógica, questionando aquilo que está na essência de tais ideias e frustrando deliberadamente as expectativas que nos guiam, enquanto público de arte, ao entrarmos em contato com elas.

Ao reconhecer o modus operandi não só do sistema de arte, mas de sistemas em geral (incluindo o grande sistema do mundo), e não se identificar com eles, Barrio não se resignou a criar um trabalho que, ao se opor a tais ordenamentos, continuasse reconhecendo (negativamente) as mesmas questões essenciais; mais que isso, sua poética radical mostra que a desordenação, a quebra de fronteiras, o efêmero e a reversibilidade das situações são “exercícios de liberdade” de forte poder emancipatório. 

FERNANDO ZARIF, UMA OBRA A CONTRAPELO

LANÇAMENTO DE LIVRO
17 . fev . 2014  -  27 . fev . 2014 , Galeria Millan

lançamento: 17 . fev, 20h - 23h
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“Fernando é único no plural”. A frase, da poeta e artista plástica Lenora de Barros, talvez seja a mais sintética e poética tradução da trajetória artística e humana de Fernando Zarif (São Paulo, 1960-2010). Criador compulsivo, dono de uma cultura e de um senso estético excepcionais, Zarif operava simultaneamente em vários níveis de criação, empregando linguagens e suportes os mais diversos. Embora detestasse o rótulo, encarnou, em sua acepção mais genuína e plena, o papel de artista multimídia. “Orgulhosamente autodidata”, desenhava, pintava, esculpia, escrevia, tocava tabla e violão, produzia peças gráficas, videoinstalações, performances, e, se não bastasse, “bailava como Fred Astaire”. Aluno de Décio Pignatari e Hans-Joachim Koellreutter, compôs canções pop, colaborou na criação de uma ópera eletrônica minimalista e manteve no ar um programa de rádio especializado em música erudita contemporânea. Mas foi nas artes plásticas que deixou sua marca mais profunda.

Surgido na mesma época da chamada geração 80, nunca manteve com ela a mais vaga relação de pertencimento. Descreveu seu percurso na contramão (ou “a contrapelo”) de tudo e de todos. Seu distanciamento do mercado de arte pode ser medido, inclusive, pelo número de exposições realizadas em vida, que não condiz com o caráter torrencial de sua produção. De 1982 a 2009, realizou apenas nove individuais, com um hiato de onze anos entre a penúltima – a maior de todas, realizada em 1998 na Maison Des Arts André Malraux, em Créteil, França – e a derradeira, a performática e efêmera Cadernos, de 2009, no Espaço Tom Jobim, Rio de Janeiro.

Livro

Dois anos depois da morte de Fernando Zarif, a família do artista dá início ao Projeto Fernando Zarif, abrangendo a catalogação, o restauro e a difusão de sua obra. O projeto é desenvolvido em uma casa de dois andares no bairro de Pinheiros, São Paulo, que em breve deverá se transformar em um espaço aberto à visitação e à pesquisa pelo público.

O primeiro resultado concreto deste empreendimento é o livro Fernando Zarif – Uma Obra a Contrapelo. Organizado pelo artista plástico José Resende e editado pelo selo METALIVROS, o livro reúne trezentas das mais de 2 mil obras catalogadas e restauradas por uma equipe capitaneada pela especialista Margot Crescenti.

Além de obras representativas das diversas fases do artista, Fernando Zarif – Uma Obra a Contrapelo traz uma coletânea de textos publicados em catálogos e folders de exposições do artista e assinados por nomes como Décio Pignatari, Tunga, Arnaldo Antunes e o próprio Zarif; bem como uma resenha de Marcos Augusto Gonçalves publicada em 1993, no jornal Folha de São Paulo. Além disso, Barbara Gancia, Erika Palomino, Lenora de Barros, Fernanda Torres, José Resende e Thais Rivitti escreveram textos especialmente para a pubicação; que traz ainda um diálogo inédito, travado entre Bia Lessa, Maria Borba e José Resende, a propósito da última aparição pública do artista da qual participaram ativamente: a exposição/performance Cadernos, que ocupou Espaço Tom Jobim no Jardim Botânico do Rio de Janeiro por dois dias em junho de 2009, como parte do evento Inventário do Tempo: Livros, orquestrado pelas encenadoras Bia Lessa e Maria Borba.

Eventos de lançamento

De 17 a 27 de fevereiro de 2014, cerca de 40 obras de Fernando Zarif e uma performance poderão ser apreciadas pelo público no eixo Rio-São Paulo durante os eventos de lançamento do livro Fernando Zarif – Uma Obra a Contrapelo. Sem curadoria formal, tendo apenas a geografia do espaço como elemento determinante, tanto no MAM-RJ quanto na Galeria Millan, os dois conjuntos de obras funcionam antes como cenografia para celebrar a realização do livro, do que como uma exposição propriamente dita.

A Galeria Millan, que abrigou cinco das nove individuais do artista, abre a temporada às 20h do dia 17 de fevereiro, recebendo os convidados com a exibição de cerca de  25 obras, entre desenhos, pinturas e esculturas. A coletânea fica aberta à visitação até 27 de fevereiro.

No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o lançamento acontece no dia 20 de fevereiro, com a reedição de Cadernos, a última exposição de Fernando Zarif.  Obras do artista ficarão em exposição até o dia 23. 

VERSO

NELSON FELIX
06 . nov . 2013  -  21 . dez . 2013 , Galeria Millan
abertura 05 . nov . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
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Nos últimos 20 anos, Nelson Felix vem realizando uma série de trabalhos a partir de  coordenadas geográficas, que passaram a determinar os locais de suas exposições. Em decorrência disto, o artista está há quase nove anos sem expor na cidade de São Paulo. Seu retorno acontece em novembro, quando Felix apresenta Verso, na Galeria Millan, e Verso (meu ouro, deixo aqui), no Instituto Tomie Ohtake.

Juntas, compõem a segunda parte de um trabalho realizado em dois lugares distintos, que se rebatem e, assim, complementam-se. A primeira parte, 4 Cantos, foi realizada em Portugal, em 2008, sob a tutela do Museu de Serralves e do Ministério do Turismo de Portugal. O trabalho, em seu conjunto, aborda, primeiramente, um pensamento poético sobre o espaço, na sua estrutura mais simples – os cantos, o centro e o verso – e o que seriam estes locais na nossa atual percepção multifacetada do espaço. Em um segundo momento, explora a relação ambígua que existe na língua portuguesa nas palavras canto e verso, ora com sentido espacial, ora com sentido poético. O primeiro trabalho, 4 Cantos, prima pela relação espacial; o segundo, Verso, pela poética.

4 Cantos
Em 4 Cantos, o artista viajou, em um caminhão munck, aos quatros extremos de Portugal - Bragança, Viana do Castelo, Sagres e Faro - carregado com quatro blocos cúbicos de pedras. Em cada um destes cantos do país, o artista colocava as pedras no solo e desenhava até se sentir impregnado do espaço local. Na última cidade, Faro, já em espaço interno, o artista tombou as pedras de encontro aos quatro cantos do espaço expositivo e as fixou com oito ponteiras de bronze, nas quais estavam inscritos os oito versos do poema Casa Térrea, de Sophia de Mello Breyner.

Verso
Em Verso, como o próprio título indica, Felix rebate o primeiro trabalho, formando um amálgama das duas obras e, em consequência, um trabalho único, em dois atos. O atual trabalho nasce da observação de que a cidade de São Paulo, o principal centro econômico-cultural brasileiro, encontra-se equidistante e sobre uma linha imaginária que liga duas pequenas ilhas, uma no Oceano Pacífico e outra no Atlântico.

O artista viaja às duas ilhas, estes dois versos criados pela estrutura poética do trabalho no globo terrestre. Nelas, olha na direção de São Paulo, onde irá expor, e finca no solo três peças de latão, que constituem as três partes da letra A. Uma homenagem ao poeta catalão Joan Brossa, através de um dos seus poemas, intitulado Desmuntatge. Esta homenagem se faz outra vez presente quando o artista torna a fincar esta letra na Galeria, em São Paulo.

Verso remete à sensação poética de um local central, construído totalmente por centros, se assim podemos falar – uma cidade, que aglutina e centraliza, e duas pequenas ilhas, pontos em meio a oceanos.

Obras e informações
Na Galeria, Verso formaliza-se na apresentação de uma instalação com dois grandes anéis de mármore de carrara, objetos de latão, ouro, dois desenhos e duas fotografias. No Instituto Tomie Ohtake, Verso (meu ouro, deixo aqui) traz seu processo de criação, com inúmeros desenhos que o artista realiza durante o desenvolvimento do trabalho, e uma peça com mármore de carrara, ouro e projeção. Acompanha as exposições um vídeo, realizado em maio deste ano, de uma conversa do artista com o crítico Rodrigo Naves.

BELVEDERE

BOB WOLFENSON
29 . ago . 2013  -  11 . out . 2013 , Galeria Millan
abertura 28 . ago . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
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Para Bob Wolfenson, Belvedere é um posto de observação privilegiado a partir do qual reencontra lembranças, reconstrói paisagens: “dele enxergo vultos do passado e do presente fundidos a uma atmosfera de baixa temporada, tão comum ao turismo de certa fatia da classe média na qual fui gerado e cresci, e à qual minha alma ainda pertence”.

Uma recente viagem de carro de São Paulo a Minas Gerais o fez revisitar lugares que frequentava durante suas férias escolares, como Águas de Lindoia ou Cambuquira, então seus Eldorados. O contato com estes cenários e memórias foi o impulso inicial para a construção deste Belvedere, em que Wolfenson reúne fotografias de locais turísticos que vão do interior paulista ao Colorado americano, do Rio de Janeiro à Cracóvia.

A memória e o olhar do fotógrafo aproximam essas arquiteturas de diferentes partes do mundo, a partir de um certo espírito “Grande Hotel”. Ao retratar repetidamente locais abandonados, decadentes ou vazios, o ensaio traz à tona a nostalgia de um futuro promissor e um forte isolamento humano, resultado da rarefação dos espaços encontrados.

Contemplado em terceiro lugar pelo Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte - uma das mais importantes premiações nacionais de fotografia -, o ensaio Belvedere dá corpo à exposição na Galeria Millan e ganha suporte em publicação editada pela Cosac Naify. A abertura da individual e o lançamento do livro convergem no dia 28 de agosto, na Galeria Millan. De forma complementar à exposição, a Galeria leva à SP-Arte/Foto (22 a 25 de agosto, no Shopping JK Iguatemi) imagens inéditas da série, em projeto solo de Wolfenson na feira.
 

AINDA QUE TE VI

ANA PAULA OLIVEIRA
19 . jul . 2013  -  17 . ago . 2013 , Galeria Millan
abertura 18 . jul . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-8-
    vista da exposição
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-18-
    vista da exposição
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    Camuflagem, 2013
    mármore, cobre, latão, bronze, lente de aumento e linha natural
    29 x 19,8 x 22,5 cm
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-10-
    vista da exposição
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-7-
    vista da exposição
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-16-
    vista da exposição
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-9-
    vista da exposição
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    Sem título, 2013
    pigmento mineral sobre papel algodão
    120 x 86 cm
  • Apo
    Sem título, 2013
    pigmento mineral sobre papel algodão
    70 x 150 cm
  • Img_0096_10x15
    Sem título, 2013
    pigmento mineral sobre papel algodão
    120 x 86 cm
Play assistir

Instalação, esculturas, fotografias e vídeos compõem a nova exposição de Ana Paula Oliveira, intitulada Ainda que te vi. Ao transportar até a Galeria Millan crisálidas vivas cultivadas na região do Pantanal, a artista explora o processo de transformação de substâncias e a tensão entre elementos naturais e seus sistemas de cultivo, pesquisas recorrentes em sua trajetória.

Na instalação, fixadas acima de grandes placas de mármore suspensas por cabos de aço, as crisálidas vem pairar sobre os visitantes. Lentes de aumento incrustadas no mármore funcionam como lupas, aproximando opticamente o objeto, ou mesmo interfaces frente às quais é possível assistir ao espetáculo da eclosão dos casulos. Ali posicionadas, entre o visitante e o objeto, filtram e ressignificam o fenômeno, já em constante transformação.

O conjunto de esculturas cria um sistema no qual tudo é controlado: da altura das pedras ao grau das lentes e o tempo de eclosão. Opõe-se assim ao processo natural em que a lagarta escolhe onde se instalar e depende das condições de umidade e calor para completar seu ciclo. Este cenário construído não implica, porém, ausência de conflito. A tensão está latente nos deslocamentos físicos e temporais propostos pela instalação, na expectativa do ápice da metamorfose das crisálidas e nas relações que surgirão entre as borboletas recém-nascidas voando pela galeria e os visitantes da mostra. 

É precisamente nestes conflitos que reside a chave da produção da artista, como apontou Rodrigo Naves: “a inteligência do trabalho consiste justamente em pô-los numa situação estranha à sua posição natural e com isso torná-los mais visíveis, potentes e perigosos. E o interessante é que, a cada novo trabalho, Ana Paula consegue chegar a significados diversos, ainda que seus procedimentos não mudem radicalmente”.

Somam-se à instalação fotografias de caixas de cultivo feitas no borboletário do SESC Pantanal, que destacam a relação arquitetônica entre as estruturas das caixas e das crisálidas, além de minivídeos que mostram o momento exato em que os casulos eclodem e as borboletas se preparam para acontecer no mundo.

IMPOSSÍVEL

SOFIA BORGES
12 . jun . 2013  -  06 . jul . 2013 , Galeria Millan
abertura 11 . jun . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • S_impossivel
    S, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    110 x 170 cm
  • Cabeca_de_animal
    Mito, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    225 x 150 cm
  • Analogia_diptico
    Analogia, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    díptico
    150 x 225 cm cada
  • Sofia
    Impossível, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    150 x 225 cm cada (díptico)
  • Escritai
    Escrita I, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    70 x 105 cm
  • _mcw2803_phragults4_rc_120x180_mini
    Corpo, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    120 x 180 cm
  • Escritaii
    Escrita II, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    70 x 105 cm

Impossível, mostra individual de Sofia Borges com abertura dia 11 de junho, ocupa o espaço expositivo da Galeria Millan com cerca de 6 obras inéditas (dois dípticos), todas de 2013. Assim como na mostra Os Nomes, apresentada recentemente em Lisboa como uma das exposições integrantes do BES-Photo Award 2013 (e que poderá ser vista a partir de junho no Instituto Tomie Ohtake), Impossível reúne fotografias de recortes dos painéis explicativos do Museu de Paleontologia e Anatomia Comparada de Paris.

Apesar de ambas as exposições fazerem uso de estratégias semelhantes, a artista acredita, que, na nova mostra, apresentada na Millan, "os trabalhos se aprofundam, ou naufragam, na tentativa de estabelecer um lugar entre figuração e abstração, entre pintura e fotografia, entre a imagem e sua superfície".

Esta mostra é fruto de um contínuo questionamento a respeito do que se trata a imagem fotográfica, pesquisa desenvolvida por Sofia desde o início de sua trajetória artística. "É uma exposição estranha, radical, sem eixo, são fotografias que tentam dissolver, ou inverter, ou apagar a ideia de referente, de janela. As imagens tentam falar sobre a falência da linguagem, mas são mudas".

Leia também o texto de Jacopo Crivelli Visconti sobre a exposição. 

LAPSO

FELIPE COHEN
03 . mai . 2013  -  01 . jun . 2013 , Galeria Millan
abertura 02 . mai . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • Fc_land_escape_a_foto_everton_ballardin
    Land Escape # 7, 2013
    mármore travertino turco, mármore travertino romano e saco plástico
    32 x 22 x 2 cm
  • Fc_vitrine_a_foto_everton_ballardin
    Sem título, 2013
    madeira, vidro e garrafa de vidro
    90 x 105 x 70 cm
  • Fc_vitrine_b_foto_everton_ballardin
    Sem título, 2013
    madeira, vidro e garrafa de vidro
    90 x 105 x 70 cm
    detalhe
  • Convite_imagem3_felipecohen_galeriamillan
    Sem Vento, 2013
    madeira, vidro e graveto
    90 x 100 x 70 cm
    detalhe
  • Fc_vitrine_d_foto_everton_ballardin
    Sem título, 2013
    madeira, vidro e garrafa de vidro
    90 x 105 x 70 cm

A exposição Lapso explora, a partir de um conjunto de dez obras (esculturas e uma intervenção arquitetônica), a ideia de duração temporal através de objetos que deixam à vista somente o início e o fim de uma ação, ou mesmo de uma transformação entre materiais e formas. O duplo sentido da palavra lapso (que, além de significar uma decorrência temporal, também remete a erro ou falha de um processo em relação ao seu padrão) aprofunda a interpretação de cada obra bem como a relação entre elas. Para figuração dessas narrativas (de deslocamento temporal ou transformação matérica), o artista utiliza materiais do cotidiano, como garrafas e sacolas plásticas, interagindo com dispositivos como vitrines e materiais clássicos da arte, de forma a ressignificar momentos e situações ordinárias pela contaminação entre esses dois contextos. 

Em texto de sua autoria, de 2008, o artista revela que seu trabalho já então se desenvolvia, há algum tempo, “a partir da tensão dada pelo conflito de uma tradição da arte, principalmente da escultura, com formas contemporâneas de dispor o objeto”, o que continua a se fazer presente nesta exposição: uma paisagem de mármore é construída dentro de um saco plástico; uma vitrine de vidro e madeira, precisamente formalizada, sustenta um galho de árvore; uma lasca de vidro, de uma vitrine quebrada da Galeria, transmuta-se em mármore.

Na peça Resgate, por exemplo, duas sacolas plásticas, unidas por uma de suas alças, contêm pedaços meticulosamente cortados de mármore carrara. Mais que o conteúdo dessas sacolas (a mesma pedra que, pela ação do homem, se partiu em duas), a disposição das mesmas remete tanto a uma decorrência temporal (como um frame congelado de um filme) quanto a uma espécie de engano ou falha (a queda), abrangendo em si os dois sentidos da palavra lapso: enquanto uma delas está sobre a mesa, a outra pende desse suporte, sendo a única coisa que lhe impede de cair ao chão sua união à primeira (as duas alças veem-se transfiguradas, então, em braços – um que socorre, outro que luta por sobrevivência).

A observação do conjunto da exposição (e mesmo de sua produção como um todo) revela que o lapso de Felipe Cohen é ele também, como muitos dos elementos explorados pelo artista, um simulacro, uma fantasmagoria. Assim como, em uma das vitrines exibidas, o prego real jamais se encontra com o buraco que deveria contê-lo (apenas seu reflexo – uma ausência cuja imagem se transveste de presença – chega à iminência desse contato), o lapso do artista é estudado, à escola dos filósofos franceses que, em aula, simulavam a naturalidade de um ato falho para efeitos pedagógicos. A simulação das obras de Cohen, porém, não busca ensinar nada stricto sensu, é pura fenomenologia: abre-nos os olhos para as diferentes temporalidades de cada material, para as impossibilidades tornadas (irônica e paradoxalmente) possíveis. O lapso – temporal ou psicológico – é construto racional, consciente, e lá foi colocado para criar a possibilidade de uma revelação fenomênica, pela qual a ordem comum das coisas e da nossa percepção ganham um desdobramento inusitado.

[INFILTRAÇÕES]

EMMANUEL NASSAR
22 . mar . 2013  -  20 . abr . 2013 , Galeria Millan
abertura 21 . mar . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • En_5551_122x180cm_2012_site
    Perfuráveis, 2012
    acrílica sobre eucatex, martelo e bocal para lâmpada
    122 x 180 cm
  • _mg_9696
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
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    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9703
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
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    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
  • _mg_9677
    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
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    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
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    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
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    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin
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    vista da exposição
    foto: Everton Ballardin

Em sua quinta individual na Galeria Millan, Emmanuel Nassar se torna ainda mais ousado na exploração crítica dos mecanismos que sustentam o meio das artes (modus operandi que permeia sua trajetória desde os anos 1980). Com abertura no dia 21 de março, [infiltrações] traz uma ampliação do repertório de apropriações e embaralhamentos de Nassar, que cita e se deixa citar por obras de outros artistas, criando uma espécie de jogo para o visitante e questionando o conceito de espaço individual, coletivo e autoral.

Procedimento que compartilha com uma série de artistas de sua geração, a apropriação de imagens pré-existentes, o esvaziamento de seu significado prévio e sua ressignificação (em geral como invólucro formal aberto a uma multiplicidade de significados, nenhum mais correto que o outro) são marcas do trabalho de Nassar. O artista paraense construiu seu universo poético a partir da contaminação entre a tradição erudita (especialmente a construtiva) e a imagética popular do norte do Brasil, aproximando ambas as linguagens, ao mesmo tempo em que permite que se questionem mutuamente, em espécie de eterno procedimento dialético.

Ocupando mais que o espaço expositivo tradicional, a exposição de Nassar se infiltra pelas demais áreas da Galeria, explorando-as de forma a esfumaçar os limites autorais entre suas obras e as dos outros artistas que ocupam tais espaços. A mostra tampouco se restringe a apresentar apenas sua produção mais recente, colocando lado a lado trabalhos de diferentes períodos e em diferentes suportes (objetos, pinturas, chapas metálicas e desenhos), prezando pela ampla gama de novos significados que podem surgir a partir dessas relações.

Se, como foi dito pelo crítico Tadeu Chiarelli, Nassar esgarça “até o limite as bordas entre arte e antiarte, testando, nesse processo, a cumplicidade dos outros componentes do circuito e a complacência do espectador comum”, é justo dizer que, em [infiltrações], Nassar descobre novos limites tanto para essa fronteira quanto às relações que a envolvem.

B O L E T I M

CURADORIA: PAULO MIYADA
04 . fev . 2013  -  09 . mar . 2013 , Galeria Millan
abertura 02 . fev . 2013, 11h - 17h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
  • Berna
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  • Vitor_cesar_ferrari_serie_romance_policial_2012
  • Vitor_cesar_felino_e_lion_serie_romance_policial_2012
  • Vijai_trocas_bruscas_ocorrem_gradualmente
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  • Vijai_ataques_selvagens_de_cinismo_2012

Berna Reale, Pedro França, Vijai Patchineelam e Vitor Cesar são quatro artistas de partes diferentes do país que sustentam uma atenção constante aos dilemas políticos do tempo presente. As maneiras como esse comprometimento se manifesta em suas obras são radicalmente diversas, indo da alusão alegórica em elaboradas composições fotográficas, no caso de Berna Reale, até o jogo de desdobramentos gráficos e conceituais entre os campos público e privado, no caso de Vitor Cesar.

Pela reunião e produção de trabalhos inéditos desses artistas, o curador Paulo Miyada aborda as maneiras como a arte participa da produção de entendimentos sobre os acontecimentos que lhe cercam, oferecendo-se como parcela de um possível fórum público de debates. Fotografias, vídeos, livros, cartazes, desenhos, instalações e objetos ocuparão todo o espaço da Galeria Millan, constituindo uma reflexão sobre a possibilidade da arte contemporânea ocupar o espaço deixado pela decadência do "uso público da razão" em um mundo saturado por imagens dissimuladas.

Os artistas foram escolhidos pela precisão de seus processos criativos e pelo interesse em participar de discussões curatoriais e encontros entre todos os participantes da exposição. Na composição do grupo foi dada prioridade à diversidade das táticas que empregam para conectar suas obras com seus discursos acerca da realidade, e cada um dos artistas teve o apoio da Galeria Millan para desenvolver obras e projetos ainda não apresentados ao público, procurando responder à proposta da exposição.

Berna Reale, de Belém, vive cotidianamente os impasses de uma metrópole contraditória e marcada por diferenças sociais, ao mesmo tempo em que acompanha notícias de violência remetidas de todas as partes do globo. Sua obra propõe uma espécie de alegoria do tempo presente, através da construção de cenas com personagens que representam ora aqueles violentados, ora aqueles que impõem a violência em diversas zonas de conflito. Essa cenas são performadas pela própria artista, que escolhe figurinos, objetos de cena e locações que simbolizam os confrontos abordados. Para a exposição Boletim, Berna desenvolveu uma série fotográfica que aborda momentos críticos do mundo contemporâneo que são de conhecimento comum e, ainda assim, apresentam-se como desafios à compreensão: o abuso de poder de soldados norte-americanos no Oriente Médio; a condição de invisibilidade dos presos políticos de Guantánamo; a presença constante da morte em territórios mulçumanos; e a restrição dos direitos civis em fábricas chinesas.

Vitor Cesar, de Fortaleza (vive em São Paulo), estuda a constituição do espaço discursivo da arte, apropriando-se das qualidades gráficas e discursivas de seus elementos de sinalização e nominação. Suas proposições questionam a especialização de artistas, público e instituições como polos isolados, enfatizando os seus pontos de contato e as relações de reciprocidade que os definem mutuamente. Para tanto, suas propostas muitas vezes extravasam os suportes usualmente associados às obras de arte, como molduras e pedestais, e confundem-se com placas de rua, mobiliários urbanos e sinalizações publicitárias. Para Boletim, Vitor organizou uma síntese de sua série inédita, "Romance Policial", instalação que emula uma exposição de design de cartazes, todos criados segundo uma empreitada ficcional em que um escritório de design é contratado para estabelecer uma identidade para iniciativas recentes da Polícia Federal.

Vijai Patchineelam, de Niterói, constrói sua abordagem do mundo contemporâneo tendo como princípio caminhadas pelas cidades e o cotidiano de interação com seu espaço de trabalho e convivência com outros artistas. No tempo distendido de lugares que à primeira vista estão imersos na inércia, Vijai registra momentos de tensão física e impermanência, principalmente através de fotografias e vídeos nos quais fragmentos de ruínas e objetos envelhecidos parecem estar na iminência de colocar-se em movimento, mesmo que seja para o  colapso. Para Boletim, o artista reuniu livro, fotografias e vídeo que abordam desde o espaço urbano - o lado de fora - até o interior de um ateliê - o lado de dentro -, sempre à procura de sinais de uma irrupção que impeça a continuidade do status quo. Mesmo que marcadamente introspectivo na escala de seu olhar para o mundo, Vijai não abandona o interesse por transformações mais gerais da sociedade, apenas procura por movimentos mais sutis do que aqueles abordados pelas manchetes dos jornais, pelas promessas eleitorais e pelas assembleias de classe.

Pedro França, do Rio de Janeiro (vive em São Paulo), desenvolve modelos nos quais aspectos do mundo concreto são espelhados e refeitos no âmbito do espaço expositivo. Há nessas reconstruções uma tentativa (que se sabe frustrada desde o princípio) de apropriar-se da totalidade de um fenômeno que é, por definição, mais amplo do que qualquer meio de representação, seja ele a extensão de uma viagem rodoviária, um objeto de infraestrutura urbana de grande escala ou um fragmento da natureza. Assim, seus vídeos, desenhos e instalações procuram equivalências impossíveis, consolidando-se como modelos de estudo e evocação de uma determinada experiência. No caso do conjunto de trabalhos proposto para Boletim, Pedro persegue as imagens que tentam apresentar a figura do suicídio, caso peculiar da morte em que o sujeito contradiz o instinto fundamental de preservar a própria vida. Como síntese do limite enfrentado por qualquer representação que aborde essa categoria de eventos, o artista está desenvolvendo um desenho a carvão de grande escala (com mais de seis metros de comprimento) baseado na imagem de uma baleia que apareceu morta em uma praia há mais de um século sem nenhuma causa natural, o que foi interpretado pelos homens de então como um caso de suicídio animal.

DUDI MAIA ROSA

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL
23 . nov . 2012  -  20 . dez . 2012 , Galeria Millan
abertura 22 . nov . 2012, 20h - 23h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Dudi_01_buraco
  • Dudi_02_casa
  • Dudi_03_cemiterio
  • Dudi_04_cortina
  • Dudi_05_escada
  • Dudi_07_mesa
  • Dudi_08_portao
  • Dudi_10_sofa
  • Dudi_09_relogio
  • Dudi_11_telefone

Nesta individual na Galeria Millan, Dudi Maia Rosa retoma a vertente figurativa de seu trabalho. Muito conhecido pelos seus fibers (obras em fibra de vidro que exploram questões tanto da pintura quanto da escultura, presentes em sua carreira desde a década de 80), o artista cria esta exposição com uma nova técnica, em que parte de aquarelas e desenhos criados por ele em 2011 e 2012.  

Trata-se de uma nova frente de sua pesquisa com materiais, na qual aborda relações com a tradição pictórica de forma singular, através da revisitação de temas como a paisagem, natureza morta, cenas de cinema, fantasias e imagens para projetos não realizados. O artista apelida esses trabalhos de “cábulas”, termo que remete à sua iniciação artística, conforme seu depoimento:

Com 13 ou 14 anos, como tinha certa diferença com o ambiente da escola, precisava decidir como lidar com o tempo livre e com a solidão quando faltava deliberadamente a aulas. Depois de esconder a mala, começava a tentar decidir qual poderia ser a minha atividade. Aprendi a partir daí a inventar o que fazer. Não eram muitas as opções, mas foram determinantes para minha iniciação às artes: podia ir à sessão das duas de cinema, se tivesse dinheiro, ou perambular pela região central da cidade. Nesse mesmo “tempo livre” compreendi que queria e poderia criar algo artístico. Assim, em 1965, comecei a desenhar e criar imagens livres, com caneta bic.

Em 1978, fazendo minha primeira exposição individual no MASP, misturei técnicas diversas: telas em acrílica, peças em cerâmica pintadas e algumas vezes combinadas com colas sintéticas e pigmentos. Percebo hoje que uma das coisas mais importantes da exposição talvez seja um catálogo que produzi com baixa tiragem, com aquarelas que representavam praticamente todas as obras. A publicação teve ampla repercussão em todo o meu trabalho posterior, marcado pelo uso de uma mídia, um procedimento que está presente em meus ‘fibers’, algo “entre” a pintura e a releitura da mesma, incorporando também a matéria das esculturas.

Na presente exposição, retomo a ideia de retrabalhar imagens através de aquarelas e também poucas peças em fibra de vidro, algo bastante próximo das imagens do catálogo de 1978 - curiosamente intitulado ‘pinturas’, escrito a lápis, e marcado por um cromatismo dominante. Era um momento importante em que as “cábulas” iniciais ganhavam outra dimensão, uma certeza de que eram trabalhos que sintetizavam um risco e aventura através dos quais me comunicava com um público e me iniciava definitivamente às artes.  (Dudi Maia Rosa, setembro de 2012)

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