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ATLAS/OCEANO

THIAGO ROCHA PITTA
02 . set . 2014  -  27 . set . 2014 , Galeria Millan
abertura 30 . ago . 2014, 11h - 18h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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Em sua nova exposição na Galeria Millan, Thiago Rocha Pitta apresenta um vídeo inédito, além de exibir obras anteriores que se relacionam com o novo trabalho. A peça que intitula a mostra, Atlas / Oceano, foi desenvolvida durante uma residência artística realizada em 2014 na Noruega, através do programa Circulating Air. O artista se apropria de uma figura mitológica para nomear e criar uma obra em que explora questões presentes em seu trabalho como um todo, tal qual uma vivência estendida da temporalidade e os limites da relação que o homem pode estabelecer com a natureza.

O universo mitológico e a literatura são constantes referências no trabalho de Thiago Rocha Pitta (como nos vídeos O cúmplice secreto e Youth, em que o artista toma títulos e mesmo temas de empréstimo a Joseph Conrad); essas alusões, no entanto, jamais são unívocas ou limitadas por seu sentido de origem. Os elementos e personagens humanos são transfigurados em formas essencialmente minerais, por vezes vegetais, nestes contextos criados por Rocha Pitta. Vale notar que mesmo elementos inerentes à técnica e à cultura (como a navegação ou o domínio do fogo) são deslocados nesses vídeos, aparecendo como fantasmas, entes misteriosos que não podem produzir-se a si mesmos, mas que tampouco parecem oriundos de uma força humana. A câmera, estática ou à deriva, coloca o espectador na estranha posição de voyeur deste mundo que parece prescindir dele.

Também recorrente nos trabalhos do artista é a presença do barco. Três obras com este elemento poderão ser vistas no primeiro andar da Galeria: em Homenagem a JMW Turner (2002), o barco é incendiado em algum oceano, um embate entre fogo e água; em Herança (2007), o barco à deriva carrega um punhado de terra e duas árvores, imagem onírica, irônica e repleta de solidão; em O cúmplice secreto (2008), por fim, uma forma reluzente, cujo contorno preciso temos dificuldade de apreender, aproxima-se da câmera/espectador no oceano e, à medida que o faz, traz consigo o escurecer, havendo uma tensão crescente acarretada por essa presença que nem sempre pode ser vista, apenas adivinhada.
Em Atlas / Oceano, por sua vez, não é o mar que contém o barco, mas sim o barco que o carrega. Essa frágil estrutura de madeira toma o lugar do titã Atlas e, flutuando no vazio, sustenta a Terra ou, pelo menos, os seus mares. Oriunda do domínio técnico do homem sobre a natureza e associada ao florescer e à expansão de inúmeras civilizações, a habilidade de navegar aparece aqui como o ponto de apoio do mundo. A imagem faz ressoar entrevistas nas quais o artista afirma não existir, para os homens, a natureza em si: como Midas, tudo em que o ser humano toca se transforma em cultura, mesmo o ermo oceano.

OSWALDO GOELDI

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL
17 . jul . 2014  -  16 . ago . 2014 , Galeria Millan
abertura 17 . jul . 2014, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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A Galeria Millan apresenta, de 17 de julho a 16 de agosto, individual de um dos maiores nomes da arte brasileira: o gravador, desenhista, ilustrador e professor Oswaldo Goeldi (1895 - 1961). A mostra reúne algumas das gravuras mais representativas de diferentes períodos de sua trajetória, como Mar Calmo (1937), Autorretrato (1950), Chuva (1957) e Luz Noturna (1960).

Os visitantes poderão conhecer aquarelas e desenhos raramente expostos, além de um conjunto importante de xilogravuras. A exposição ainda mostrará um pequeno ateliê, montado pelo Projeto Goeldi, equipado com instrumentos e objetos de trabalho utilizados pelo artista, que ajudam a compreender seu universo de criação.

Um dos maiores expoentes da gravura brasileira, Goeldi conferiu potência moderna à técnica arcaica da xilogravura, compondo suas obras a partir de elementos mínimos de luz e sombra. Diferente do modernismo predominantemente solar e tropical, o artista traz desde o início de sua produção um olhar direcionado aos aspectos desolados da cidade - a noite, os casarões, as ruas estreitas da periferia e as pessoas marginalizadas pela sociedade. É a partir dessas cenas que constrói seu expressionismo de paisagens quase fantásticas, que mostram uma realidade bruta, de solidão e silêncio.

 

Curadoria: Lani Goeldi 
Realização: Galeria Millan, Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi e Projeto Goeldi 
Produção: Galeria Millan e Cult Arte e Comunicação

O SOL E A DIFERENÇA

ANA PRATA
06 . jun . 2014  -  05 . jul . 2014 , Galeria Millan
abertura 05 . jun . 2014, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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Barbante, madeira e tecido são alguns dos materiais escolhidos por Ana Prata para compor as obras de sua primeira individual na Galeria Millan. Com abertura em 5 de junho, O Sol e a Diferença inaugura uma nova fase no trabalho da artista, na qual diversifica os suportes para a pintura, dedicando-se a uma representação mais simbólica e à abstração.

Do uso de materiais incomuns neste conjunto aflora um caráter objetual, para além do tradicional óleo sobre tela. “Diferentes suportes e materiais podem me interessar na construção de uma pintura, já que cada uma é uma unidade de pensamento, ou uma ideia, que se manifesta através de um corpo, de um objeto e sua aparência. Me interesso pela singularidade de cada trabalho”, afirma Ana.

Esse movimento de libertação em relação ao suporte acompanhou também uma maior liberdade na temática dos trabalhos desta nova fase. Se até então a artista partia predominantemente de imagens encontradas na Internet para a composição de suas telas, agora passa a colocar a imaginação como ponto central de suas criações. Essa mudança levou ao surgimento de figuras simbólicas, arcaicas, que propõem uma visão sintética da natureza, além da experimentação com formas puramente geométricas e abstratas.

Presente no título e em várias obras da exposição, o sol desponta como um raro símbolo de unidade em um conjunto marcado pela diversidade, característica que se mantém ao longo da trajetória de Ana Prata. Para ela, a representação deste elemento remete aos primórdios, às cavernas, aos desenhos infantis. E é justamente ao conduzir esta pesquisa em direção ao elementar que a obra de Ana se adensa e amadurece, aproximando-se de formas compartilhadas pelo imaginário humano comum.

PEQUENA PAISAGEM

OTAVIO SCHIPPER
30 . abr . 2014  -  21 . mai . 2014 , Galeria Millan
abertura 29 . abr . 2014, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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Uma paisagem composta apenas por elementos essenciais ocupa o espaço expositivo da Galeria Millan durante a individual de Otavio Schipper. Quatro meros segmentos de reta - trilhos assentados diretamente sobre o chão e dois postes de eletricidade ligados à rede elétrica municipal - formam essa Pequena Paisagem, título da exposição que poderia muito bem se chamar, de acordo com o artista, “paisagem sem paisagem”.

A simplicidade da instalação de Schipper nos remete ao plano cartesiano: os trilhos e os postes podem fazer as vezes dos eixos x e y de um gráfico qualquer, transfigurando o espaço expositivo em espaço geométrico, área de abstração e racionalização matemática. A construção da instalação a partir dos elementos símbolo das duas primeiras revoluções industriais sinaliza para os processos de desenvolvimento científico que as sociedades ocidentais experimentaram na modernidade, ruptura que desencantou o mundo, dominado pela razão utilitarista e teleológica do progresso.

Esta Pequena Paisagem traz uma relação entre o dentro e fora: além de a Galeria ver-se ocupada por instrumentos que devem ficar em espaços externos, os equipamentos são de fato funcionais e transmitem diretamente, para dentro, energia que circula entre os demais postes situados na rua. Se, por um lado, a transmissão traz em si ideias como fluxo e comunicação, a instalação comporta uma dimensão melancólica. Para o artista, o trabalho “evoca a imagem da cidade que se alastra e invade o espaço privado, da energia que se faz presente em qualquer ponto do universo, da impossibilidade de isolamento”. A exigência de se estar sempre conectado sufoca o espaço da subjetividade em meio ao ruído do mundo.

... em algum ponto da Terra .

ARTUR BARRIO
21 . mar . 2014  -  17 . abr . 2014 , Galeria Millan
abertura 20 . mar . 2014, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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Em sua nova individual na Galeria Millan, ... em algum ponto da Terra ., Artur Barrio apropria-se do espaço expositivo, como que transformando-o em ateliê onde cria, poucos dias antes da abertura, uma situação ou experiência inédita, que poderá ser visitada entre 20 de março e 17 de abril.

A produção de Artur Barrio desafia o vocabulário artístico tradicional, de forma que a palavra “exposição” (e seu significado historicamente sedimentado) mal parece se adequar ao que o artista propõe com as ações que realiza em galerias e espaços institucionais. Mais que estender, reduzir ou distorcer a significação corrente de conceitos como espaço expositivo, obra de arte e exposição, Barrio opera a partir de outra lógica, questionando aquilo que está na essência de tais ideias e frustrando deliberadamente as expectativas que nos guiam, enquanto público de arte, ao entrarmos em contato com elas.

Ao reconhecer o modus operandi não só do sistema de arte, mas de sistemas em geral (incluindo o grande sistema do mundo), e não se identificar com eles, Barrio não se resignou a criar um trabalho que, ao se opor a tais ordenamentos, continuasse reconhecendo (negativamente) as mesmas questões essenciais; mais que isso, sua poética radical mostra que a desordenação, a quebra de fronteiras, o efêmero e a reversibilidade das situações são “exercícios de liberdade” de forte poder emancipatório. 

FERNANDO ZARIF, UMA OBRA A CONTRAPELO

LANÇAMENTO DE LIVRO
17 . fev . 2014  -  27 . fev . 2014 , Galeria Millan

lançamento: 17 . fev, 20h - 23h
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“Fernando é único no plural”. A frase, da poeta e artista plástica Lenora de Barros, talvez seja a mais sintética e poética tradução da trajetória artística e humana de Fernando Zarif (São Paulo, 1960-2010). Criador compulsivo, dono de uma cultura e de um senso estético excepcionais, Zarif operava simultaneamente em vários níveis de criação, empregando linguagens e suportes os mais diversos. Embora detestasse o rótulo, encarnou, em sua acepção mais genuína e plena, o papel de artista multimídia. “Orgulhosamente autodidata”, desenhava, pintava, esculpia, escrevia, tocava tabla e violão, produzia peças gráficas, videoinstalações, performances, e, se não bastasse, “bailava como Fred Astaire”. Aluno de Décio Pignatari e Hans-Joachim Koellreutter, compôs canções pop, colaborou na criação de uma ópera eletrônica minimalista e manteve no ar um programa de rádio especializado em música erudita contemporânea. Mas foi nas artes plásticas que deixou sua marca mais profunda.

Surgido na mesma época da chamada geração 80, nunca manteve com ela a mais vaga relação de pertencimento. Descreveu seu percurso na contramão (ou “a contrapelo”) de tudo e de todos. Seu distanciamento do mercado de arte pode ser medido, inclusive, pelo número de exposições realizadas em vida, que não condiz com o caráter torrencial de sua produção. De 1982 a 2009, realizou apenas nove individuais, com um hiato de onze anos entre a penúltima – a maior de todas, realizada em 1998 na Maison Des Arts André Malraux, em Créteil, França – e a derradeira, a performática e efêmera Cadernos, de 2009, no Espaço Tom Jobim, Rio de Janeiro.

Livro

Dois anos depois da morte de Fernando Zarif, a família do artista dá início ao Projeto Fernando Zarif, abrangendo a catalogação, o restauro e a difusão de sua obra. O projeto é desenvolvido em uma casa de dois andares no bairro de Pinheiros, São Paulo, que em breve deverá se transformar em um espaço aberto à visitação e à pesquisa pelo público.

O primeiro resultado concreto deste empreendimento é o livro Fernando Zarif – Uma Obra a Contrapelo. Organizado pelo artista plástico José Resende e editado pelo selo METALIVROS, o livro reúne trezentas das mais de 2 mil obras catalogadas e restauradas por uma equipe capitaneada pela especialista Margot Crescenti.

Além de obras representativas das diversas fases do artista, Fernando Zarif – Uma Obra a Contrapelo traz uma coletânea de textos publicados em catálogos e folders de exposições do artista e assinados por nomes como Décio Pignatari, Tunga, Arnaldo Antunes e o próprio Zarif; bem como uma resenha de Marcos Augusto Gonçalves publicada em 1993, no jornal Folha de São Paulo. Além disso, Barbara Gancia, Erika Palomino, Lenora de Barros, Fernanda Torres, José Resende e Thais Rivitti escreveram textos especialmente para a pubicação; que traz ainda um diálogo inédito, travado entre Bia Lessa, Maria Borba e José Resende, a propósito da última aparição pública do artista da qual participaram ativamente: a exposição/performance Cadernos, que ocupou Espaço Tom Jobim no Jardim Botânico do Rio de Janeiro por dois dias em junho de 2009, como parte do evento Inventário do Tempo: Livros, orquestrado pelas encenadoras Bia Lessa e Maria Borba.

Eventos de lançamento

De 17 a 27 de fevereiro de 2014, cerca de 40 obras de Fernando Zarif e uma performance poderão ser apreciadas pelo público no eixo Rio-São Paulo durante os eventos de lançamento do livro Fernando Zarif – Uma Obra a Contrapelo. Sem curadoria formal, tendo apenas a geografia do espaço como elemento determinante, tanto no MAM-RJ quanto na Galeria Millan, os dois conjuntos de obras funcionam antes como cenografia para celebrar a realização do livro, do que como uma exposição propriamente dita.

A Galeria Millan, que abrigou cinco das nove individuais do artista, abre a temporada às 20h do dia 17 de fevereiro, recebendo os convidados com a exibição de cerca de  25 obras, entre desenhos, pinturas e esculturas. A coletânea fica aberta à visitação até 27 de fevereiro.

No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o lançamento acontece no dia 20 de fevereiro, com a reedição de Cadernos, a última exposição de Fernando Zarif.  Obras do artista ficarão em exposição até o dia 23. 

VERSO

NELSON FELIX
06 . nov . 2013  -  21 . dez . 2013 , Galeria Millan
abertura 05 . nov . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
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Nos últimos 20 anos, Nelson Felix vem realizando uma série de trabalhos a partir de  coordenadas geográficas, que passaram a determinar os locais de suas exposições. Em decorrência disto, o artista está há quase nove anos sem expor na cidade de São Paulo. Seu retorno acontece em novembro, quando Felix apresenta Verso, na Galeria Millan, e Verso (meu ouro, deixo aqui), no Instituto Tomie Ohtake.

Juntas, compõem a segunda parte de um trabalho realizado em dois lugares distintos, que se rebatem e, assim, complementam-se. A primeira parte, 4 Cantos, foi realizada em Portugal, em 2008, sob a tutela do Museu de Serralves e do Ministério do Turismo de Portugal. O trabalho, em seu conjunto, aborda, primeiramente, um pensamento poético sobre o espaço, na sua estrutura mais simples – os cantos, o centro e o verso – e o que seriam estes locais na nossa atual percepção multifacetada do espaço. Em um segundo momento, explora a relação ambígua que existe na língua portuguesa nas palavras canto e verso, ora com sentido espacial, ora com sentido poético. O primeiro trabalho, 4 Cantos, prima pela relação espacial; o segundo, Verso, pela poética.

4 Cantos
Em 4 Cantos, o artista viajou, em um caminhão munck, aos quatros extremos de Portugal - Bragança, Viana do Castelo, Sagres e Faro - carregado com quatro blocos cúbicos de pedras. Em cada um destes cantos do país, o artista colocava as pedras no solo e desenhava até se sentir impregnado do espaço local. Na última cidade, Faro, já em espaço interno, o artista tombou as pedras de encontro aos quatro cantos do espaço expositivo e as fixou com oito ponteiras de bronze, nas quais estavam inscritos os oito versos do poema Casa Térrea, de Sophia de Mello Breyner.

Verso
Em Verso, como o próprio título indica, Felix rebate o primeiro trabalho, formando um amálgama das duas obras e, em consequência, um trabalho único, em dois atos. O atual trabalho nasce da observação de que a cidade de São Paulo, o principal centro econômico-cultural brasileiro, encontra-se equidistante e sobre uma linha imaginária que liga duas pequenas ilhas, uma no Oceano Pacífico e outra no Atlântico.

O artista viaja às duas ilhas, estes dois versos criados pela estrutura poética do trabalho no globo terrestre. Nelas, olha na direção de São Paulo, onde irá expor, e finca no solo três peças de latão, que constituem as três partes da letra A. Uma homenagem ao poeta catalão Joan Brossa, através de um dos seus poemas, intitulado Desmuntatge. Esta homenagem se faz outra vez presente quando o artista torna a fincar esta letra na Galeria, em São Paulo.

Verso remete à sensação poética de um local central, construído totalmente por centros, se assim podemos falar – uma cidade, que aglutina e centraliza, e duas pequenas ilhas, pontos em meio a oceanos.

Obras e informações
Na Galeria, Verso formaliza-se na apresentação de uma instalação com dois grandes anéis de mármore de carrara, objetos de latão, ouro, dois desenhos e duas fotografias. No Instituto Tomie Ohtake, Verso (meu ouro, deixo aqui) traz seu processo de criação, com inúmeros desenhos que o artista realiza durante o desenvolvimento do trabalho, e uma peça com mármore de carrara, ouro e projeção. Acompanha as exposições um vídeo, realizado em maio deste ano, de uma conversa do artista com o crítico Rodrigo Naves.

BELVEDERE

BOB WOLFENSON
29 . ago . 2013  -  11 . out . 2013 , Galeria Millan
abertura 28 . ago . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
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Para Bob Wolfenson, Belvedere é um posto de observação privilegiado a partir do qual reencontra lembranças, reconstrói paisagens: “dele enxergo vultos do passado e do presente fundidos a uma atmosfera de baixa temporada, tão comum ao turismo de certa fatia da classe média na qual fui gerado e cresci, e à qual minha alma ainda pertence”.

Uma recente viagem de carro de São Paulo a Minas Gerais o fez revisitar lugares que frequentava durante suas férias escolares, como Águas de Lindoia ou Cambuquira, então seus Eldorados. O contato com estes cenários e memórias foi o impulso inicial para a construção deste Belvedere, em que Wolfenson reúne fotografias de locais turísticos que vão do interior paulista ao Colorado americano, do Rio de Janeiro à Cracóvia.

A memória e o olhar do fotógrafo aproximam essas arquiteturas de diferentes partes do mundo, a partir de um certo espírito “Grande Hotel”. Ao retratar repetidamente locais abandonados, decadentes ou vazios, o ensaio traz à tona a nostalgia de um futuro promissor e um forte isolamento humano, resultado da rarefação dos espaços encontrados.

Contemplado em terceiro lugar pelo Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte - uma das mais importantes premiações nacionais de fotografia -, o ensaio Belvedere dá corpo à exposição na Galeria Millan e ganha suporte em publicação editada pela Cosac Naify. A abertura da individual e o lançamento do livro convergem no dia 28 de agosto, na Galeria Millan. De forma complementar à exposição, a Galeria leva à SP-Arte/Foto (22 a 25 de agosto, no Shopping JK Iguatemi) imagens inéditas da série, em projeto solo de Wolfenson na feira.
 

AINDA QUE TE VI

ANA PAULA OLIVEIRA
19 . jul . 2013  -  17 . ago . 2013 , Galeria Millan
abertura 18 . jul . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
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    vista da exposição
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    vista da exposição
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    Camuflagem, 2013
    mármore, cobre, latão, bronze, lente de aumento e linha natural
    29 x 19,8 x 22,5 cm
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    vista da exposição
  • Anp_vista_da_exposicao_eduardo_barcellos_2013_-7-
    vista da exposição
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    vista da exposição
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    vista da exposição
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    Sem título, 2013
    pigmento mineral sobre papel algodão
    120 x 86 cm
  • Apo
    Sem título, 2013
    pigmento mineral sobre papel algodão
    70 x 150 cm
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    Sem título, 2013
    pigmento mineral sobre papel algodão
    120 x 86 cm
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Instalação, esculturas, fotografias e vídeos compõem a nova exposição de Ana Paula Oliveira, intitulada Ainda que te vi. Ao transportar até a Galeria Millan crisálidas vivas cultivadas na região do Pantanal, a artista explora o processo de transformação de substâncias e a tensão entre elementos naturais e seus sistemas de cultivo, pesquisas recorrentes em sua trajetória.

Na instalação, fixadas acima de grandes placas de mármore suspensas por cabos de aço, as crisálidas vem pairar sobre os visitantes. Lentes de aumento incrustadas no mármore funcionam como lupas, aproximando opticamente o objeto, ou mesmo interfaces frente às quais é possível assistir ao espetáculo da eclosão dos casulos. Ali posicionadas, entre o visitante e o objeto, filtram e ressignificam o fenômeno, já em constante transformação.

O conjunto de esculturas cria um sistema no qual tudo é controlado: da altura das pedras ao grau das lentes e o tempo de eclosão. Opõe-se assim ao processo natural em que a lagarta escolhe onde se instalar e depende das condições de umidade e calor para completar seu ciclo. Este cenário construído não implica, porém, ausência de conflito. A tensão está latente nos deslocamentos físicos e temporais propostos pela instalação, na expectativa do ápice da metamorfose das crisálidas e nas relações que surgirão entre as borboletas recém-nascidas voando pela galeria e os visitantes da mostra. 

É precisamente nestes conflitos que reside a chave da produção da artista, como apontou Rodrigo Naves: “a inteligência do trabalho consiste justamente em pô-los numa situação estranha à sua posição natural e com isso torná-los mais visíveis, potentes e perigosos. E o interessante é que, a cada novo trabalho, Ana Paula consegue chegar a significados diversos, ainda que seus procedimentos não mudem radicalmente”.

Somam-se à instalação fotografias de caixas de cultivo feitas no borboletário do SESC Pantanal, que destacam a relação arquitetônica entre as estruturas das caixas e das crisálidas, além de minivídeos que mostram o momento exato em que os casulos eclodem e as borboletas se preparam para acontecer no mundo.

IMPOSSÍVEL

SOFIA BORGES
12 . jun . 2013  -  06 . jul . 2013 , Galeria Millan
abertura 11 . jun . 2013, 20h - 23h
ter - sex, 10h - 19h; sab, 11h - 18h
  • S_impossivel
    S, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    110 x 170 cm
  • Cabeca_de_animal
    Mito, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    225 x 150 cm
  • Analogia_diptico
    Analogia, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    díptico
    150 x 225 cm cada
  • Sofia
    Impossível, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    150 x 225 cm cada (díptico)
  • Escritai
    Escrita I, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    70 x 105 cm
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    Corpo, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    120 x 180 cm
  • Escritaii
    Escrita II, 2013
    jato de tinta s/ papel algodão
    70 x 105 cm

Impossível, mostra individual de Sofia Borges com abertura dia 11 de junho, ocupa o espaço expositivo da Galeria Millan com cerca de 6 obras inéditas (dois dípticos), todas de 2013. Assim como na mostra Os Nomes, apresentada recentemente em Lisboa como uma das exposições integrantes do BES-Photo Award 2013 (e que poderá ser vista a partir de junho no Instituto Tomie Ohtake), Impossível reúne fotografias de recortes dos painéis explicativos do Museu de Paleontologia e Anatomia Comparada de Paris.

Apesar de ambas as exposições fazerem uso de estratégias semelhantes, a artista acredita, que, na nova mostra, apresentada na Millan, "os trabalhos se aprofundam, ou naufragam, na tentativa de estabelecer um lugar entre figuração e abstração, entre pintura e fotografia, entre a imagem e sua superfície".

Esta mostra é fruto de um contínuo questionamento a respeito do que se trata a imagem fotográfica, pesquisa desenvolvida por Sofia desde o início de sua trajetória artística. "É uma exposição estranha, radical, sem eixo, são fotografias que tentam dissolver, ou inverter, ou apagar a ideia de referente, de janela. As imagens tentam falar sobre a falência da linguagem, mas são mudas".

Leia também o texto de Jacopo Crivelli Visconti sobre a exposição. 

rua fradique coutinho, 1360 são paulo, sp brasil 05416-001 | tel/fax +55 11 3031 6007
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